De acordo com Lula, o governo federal está articulando para que legistas da Polícia Federal participem do processo de investigação sobre as mortes durante a atividade policial
O presidente Lula (PT) revelou, em entrevista às agências Associated Press e Reuters, durante viagem a Belém (PA), que o governo federal pretende pressionar por uma investigação paralela sobre a operação policial que matou ao menos 119 pessoas no Rio de Janeiro na semana passada. O presidente afirmou que houve uma “matança” na ação.
“Vamos ver se a gente consegue fazer essa investigação. Porque a decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança”, disse o presidente. É a primeira fala pública de Lula sobre a operação policial.
De acordo com Lula, o governo federal está articulando para que legistas da Polícia Federal participem do processo de investigação sobre as mortes durante a atividade policial. O STF fará uma audiência nesta quarta-feira (5) para tratar do caso.
“O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa”, prosseguiu Lula.
O governador Cláudio Castro (PL), que ordenou a operação, classificou como “um sucesso” a operação. Dezenas de corpos foram expostos na Praça São Lucas, no Complexo da Penha, após serem recuperados por moradores no dia seguinte à ação.
Castro está em Brasília nesta terça-feira (4), também para ações relacionadas ao tema. Os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Anielle Franco (Igualdade Racial) viajaram ao estado na última semana para se reunir com o governador.

STF acompanha investigações sobre a operação
No domingo (2), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo do Rio de Janeiro preserve “todos os elementos materiais” relacionados à execução da operação policial nas comunidades da Penha e do Alemão, “como perícias e respectivas cadeias de custódia” — que garantem a autenticidade e a validade das provas. A medida atende a um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) feito na quinta-feira (30).
O objetivo é possibilitar “o exercício do controle e averiguação” da atuação policial pelo Ministério Público, devendo ser garantido o acesso da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro a esses elementos.
Fonte: ICL Notícias / Foto: Reprodução