Segundo presidente, a teoria de que “o mais forte pode tudo contra o mais fraco” não interessa ao governo brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a exaltar a soberania nacional e a defender o multilateralismo em discurso durante um evento no Instituto Butantan nesta segunda-feira (9). O chefe do Executivo afirmou que não quer que o Brasil seja “menor” do que os Estados Unidos ou do que a China.
“Um unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós não nos interessa. Eu não quero ter supremacia sobre o Uruguai, eu não quero ter supremacia sobre a Bolívia, mas também não quero ser menor do que os Estados Unidos ou do que a China”, declarou.
Segundo Lula, o Brasil não está “escolhendo” entre China e Estados Unidos. O petista disse que, se houvesse uma oportunidade com a China, não haveria motivos para não negociar com o país asiático.
“Se a China aceita fazer uma parceria conosco na produção de vacinas e vai produzir a quantidade que a gente ainda não tem condição de produzir, por que não fazer um convênio com a China?”, questionou durante a cerimônia que simboliza o aumento da produção nacional de vacinas.
Em seu discurso, Lula também exaltou os feitos econômicos de seu governo, como o índice de inflação e a taxa de desemprego. De acordo com o presidente, o dólar, no entanto, segue alto por conta do humor do presidente norte-americano Donald Trump.
“O dólar fica oscilando porque depende do humor do Trump. Não depende de nós, não depende da seriedade da nossa economia”, destacou.
A fala de Lula defendendo o multilateralismo se dá depois de o Brasil enviar um diplomata de nível baixo para indicar que não deve aceitar o convite de Casa Branca para formar um bloco comercial para parcerias no comércio de minerais críticos. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo dos minerais críticos, considerados essenciais para a produção de veículos elétricos e de armas modernas.
Com a iniciativa, os Estados Unidos tinham o objetivo de centralizar o comércio dos minérios e tentar bater de frente com o monopólio chinês — a China é o país com as maiores reservas do mundo. O governo brasileiro já descartou aderir à aliança proposta pela Casa Branca e considera firmar acordos bilaterais com outros países, como a Índia.
Fonte: CNN Brasil