Lula promete para a Zona da Mata mineira reconstrução estrutural nos moldes do trabalho feito no RS

Bahia Brasil cidades News

Domingo, 1 de março de 2026

Após visitar Juiz de Fora e Ubá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista coletiva ao lado de ministros, comentou o cenário que presenciou na Zona da Mata mineira e prometeu uma força-tarefa para a reestruturação dos municípios, nos moldes da realizada após as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

“Minha visita à região é para assumir, diante dos prefeitos das cidades vitimadas pelas chuvas desta semana, o compromisso de que o governo federal vai repetir aqui o que fizemos diante da tragédia no Rio Grande do Sul”, afirmou o presidente.

Na coletiva, Lula mencionou alguns projetos que pretende implementar na Zona da Mata, como a concessão de crédito emergencial para que pequenos e médios empresários possam recuperar seus negócios, além da garantia de moradia para quem perdeu a casa após a tragédia.

“A única coisa que a gente não vai poder devolver para a cidade são as vidas que se foram. Mas as coisas materiais que as pessoas perderam, nós vamos dar à pessoa o direito de voltar a viver com decência e muita dignidade nesse país”, ressaltou o presidente.

Até o momento, pelo menos seis pessoas morreram em Ubá, 19 estão desabrigados e 623 famílias desalojadas conforme a prefeitura. Já em Juiz de Fora foram registradas 60 mortes, além, 8584 desabrigados e desalojados.

O presidente afirmou ainda que, em acordo com a prefeita de Juiz de Fora,Margarida Salomão (PT-MG), será disponibilizada uma sala para ainstalação de um gabinete do governo federal, que funcionará como ponte entre as prefeituras e o Executivo.

Antes da coletiva, Lula se reuniu com prefeitos de nove cidades da Zona da Mata. Além de Margarida, participaram do encontro José Damato (PSD-MG), de Ubá; Maurício Domingos (PSB-MG), de Matias Barbosa; José Henriques (MDB-MG), de Cataguases; Everaldo Roberto (União Brasil-MG), de Paula Cândido; Cirlei Freitas (Podemos-MG), de Divinésia; Gustavo Fernandes (PP-MG), de Senador Firmino; Pedro Augusto Ferraz (PL-MG), de Leopoldina; e Lucas Lopes (Avante-MG), de Iguatama.

‘Cidade está destroçada’, diz Margarida

Após a fala do presidente, Margarida Salomão agradeceu a visita e afirmou que o município enfrenta, neste momento, uma “cidade destroçada”.

“A cidade está machucada, não só pelas 60 mortes, mas por todas as áreas atingidas”, declarou.

Ela também assumiu, em nome dos prefeitos presentes, o compromisso de mobilização e dedicação das administrações municipais para detalhar as necessidades de cada cidade e encaminhar as demandas ao governo federal, com o objetivo de recuperar e reestruturar os municípios.

“A vida nós não conseguiremos recuperar. Mas, certamente, a perspectiva de vida, acredito que todos nós podemos garantir”, afirmou.

No caso de Juiz de Fora, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o governo entregou ao município 318 mil fraldas — cerca de metade pediátricas e metade geriátricas — além de mais de 40 mil medicamentos para hipertensão, diabetes e asma, que poderão ser retirados gratuitamente nas farmácias populares.

Ele ressaltou que a mesma estratégia de ampliação do acesso à Farmácia Popular adotada no Rio Grande do Sul em 2024 será implementada agora na Zona da Mata.

Padilha também mencionou os kits padronizados de medicamentos e insumos enviados pela Força Nacional do SUS à região e destacou a importância do reforço das vacinas contra hepatites A e B e contra o tétano, diante do contexto de enchentes e inundações.

Ministro critica Zema: ‘executou 4,1%’ do orçamento para prevenção de chuvas

O ministro das Cidades, Jader Filho, reforçou a fala do presidente sobre o projeto habitacional destinado às pessoas que perderam suas casas, embora não tenha informado valores durante a coletiva.

Ele destacou ainda os investimentos federais em prevenção e afirmou que o atual mandato realizou o maior ciclo de investimentos da história nessa área. “Foram R$ 32 bilhões. Só para o estado de Minas Gerais foram R$ 3,5 bilhões”, disse.

Segundo o ministro, para Ubá e Juiz de Fora foram mobilizados cerca de R$ 500 milhões, por meio do Novo PAC, destinados à reconstrução e a obras de infraestrutura.

“Os projetos que temos hoje com o governo do estado de Minas Gerais, que são de 2012, somam cerca de R$ 230 milhões. O governo do estado executou apenas R$ 9,1 milhões, ou seja, 4,1% do recurso disponibilizado pelo Ministério das Cidades”, afirmou, ao comentar a atuação do governo estadual, comandado por Romeu Zema (Novo-MG).

Além de Filho e Padilha, os ministros que estiveram ao lado do presidente durante a coletiva foram Walter Goés, da Integração e do Desenvolvimento Regional; Alexandre Silveira, de Minas e Energia e Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil. Também estiveram o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira e o senador Rodrigo Pacheco.

‘Centro da cidade está destruído’, diz Lula sobre Ubá

Com cerca de 100 mil habitantes, o cenário em Ubá impressionou o presidente. Segundo ele, quem chega ao centro do município pode imaginar que o maior desastre climático ocorreu ali, embora o número de mortos seja menor do que o registrado em Juiz de Fora.

“Quem for lá e ver a situação perceberá que o centro da cidade está destruído”, afirmou.

Em gesto de solidariedade, Lula chamou José Damato — que estava sentado com os demais prefeitos, exceto Margarida, anfitriã da cidade — ao microfone para relatar os danos em Ubá.

Segundo o prefeito, esta foi “a maior tragédia” da história do município.

“Fomos atingidos por duas enchentes. A primeira registrou 174 milímetros de chuva em três horas, o que elevou o nível do rio em oito metros. Quarenta e oito horas depois, veio a segunda, com 120 milímetros de chuva. Em termos de perdas materiais, tivemos a destruição de 14 pontes na zona urbana e 31 na zona rural”, concluiu.

Fonte: sputniknews / © Foto / Ricardo Stuckert / PR

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