Março Lilás: IFF/Fiocruz reforça importância da vacinação contra o HPV em mulheres

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Por Everton Lima (IFF/Fiocruz)

O HPV (Papilomavírus Humano) é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum do mundo, podendo afetar tanto a pele quanto as mucosas. Com mais de 200 tipos identificados, o vírus está relacionado a mais de 90% dos casos de câncer de colo do útero e pode causar tumores de ânus, boca e orofaringe, além de verrugas genitais. A prevenção mais eficaz é a vacinação, associada ao uso de preservativos e ao acompanhamento ginecológico regular.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a imunização é oferecida gratuitamente para públicos específicos (Fonte: Ministério da Saúde)

No Sistema Único de Saúde (SUS), a imunização é oferecida gratuitamente para públicos específicos (Fonte: Ministério da Saúde)

Embora a vacina não trate infecções já existentes, ela previne novos tipos de HPV de alto risco e reduz significativamente o aparecimento de lesões pré-cancerígenas (alterações celulares anormais com maior potencial de se tornarem malignas se não tratadas).

No contexto do Março Lilás, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer de colo do útero, que reforça a importância da vacinação contra o HPV e do rastreamento adequado para detecção precoce de lesões, conversamos com a ginecologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Paula Moskovics Jordão. A especialista esclarece dúvidas e orienta sobre os cuidados que devem ser mantidos em todas as fases da vida.

1. Quais são as principais formas de transmissão do vírus e quais comportamentos aumentam o risco de infecção?

Paula: A principal forma de transmissão se dá pelo contato sexual direto (pele a pele e mucosa). É a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo. O tabagismo, histórico de outras ISTs, imunossupressão, e a não utilização de preservativos podem aumentar o risco de infecção.

2. Quais sintomas podem surgir nas mulheres infectadas pelo HPV? É verdade que, muitas vezes, o vírus é silencioso?

Paula: Sim, na maioria dos casos o HPV é silencioso (assintomático), a pessoa mesmo infectada não apresenta nenhum sinal clínico. Como manifestações clínicas, podemos ter as verrugas genitais (associadas aos tipos de HPV de baixo risco oncogênico); em lesões mais avançadas no colo do útero (câncer) pode ocorrer sangramento durante a relação sexual e sangramento entre os períodos menstruais; além dessas manifestações clínicas, podemos encontrar alterações celulares no colo uterino, detectadas apenas em exames de triagem, como o preventivo.

3. Existe algum sinal de alerta que indique a necessidade de buscar avaliação ginecológica imediata?

Paula: Sangramento durante as relações sexuais (sinusorragia) e sangramento vaginal fora do período menstrual (alterações que podem ser encontradas no câncer de colo do útero).

4. Por que a vacinação contra o HPV é recomendada para mulheres adultas até 45 anos, e qual é o impacto dessa proteção na prevenção de cânceres e verrugas genitais?

Paula: A vacinação pode beneficiar mulheres contra subtipos virais aos quais elas ainda não foram expostas, mesmo já tendo iniciado a vida sexual. Dessa forma, pode aumentar a proteção contra possíveis infecções por novos subtipos de HPV, reduzindo o risco de lesões precursoras do câncer do colo do útero, assim como de verrugas genitais (condiloma).

5. A vacina não está amplamente disponível no SUS para todas as mulheres adultas. Quais opções existem para quem não se enquadra nesses critérios?

Paula: No SUS, a vacinação contra o HPV é ofertada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para alguns grupos específicos, como pessoas com imunossupressão, vítimas de abuso sexual. Pessoas que não se enquadram nesses grupos ou que estejam fora dessa faixa etária podem fazer a vacina em clínicas privadas.

6. Em relação ao esquema vacinal para mulheres adultas, por que são necessárias três doses?

Paula: Para garantir uma resposta imunológica adequada e proteção duradoura.

7. Muitas pessoas acreditam que a vacina trata infecções já existentes. Pode explicar a diferença entre prevenção e tratamento nesse caso?

Paula: A vacina não ajuda para infecções já existentes, ou seja, não serve como tratamento de lesões já existentes e não elimina o vírus já presente no organismo. Ela atua na prevenção primária, criando imunidade no organismo contra alguns subtipos virais (contemplados na vacina), impedindo a infecção caso a mulher venha a ter contato com algum desses subtipos do HPV.

8. Além da vacina, quais medidas continuam sendo fundamentais na prevenção do HPV?

Paula: Além da vacina que atua na prevenção primária, o rastreamento adequado é imprescindível, uma vez que possibilita a detecção precoce de lesões precursoras do câncer do colo do útero, permitindo seu tratamento.

9. Na sua avaliação, quais são hoje os principais desafios para ampliar a conscientização sobre HPV e vacinação entre mulheres adultas?

Paula: Os principais desafios são: levar o conhecimento sobre o HPV e sua história natural, tanto para os profissionais de saúde (principalmente da atenção primária) como para a população, para que todos possam entender que o câncer do colo do útero é precedido por um longo período de lesões precursoras, curáveis e tratáveis, na grande maioria dos casos, entendendo assim a importância da vacinação e do rastreamento adequado. 

Outro grande desafio é aumentar a cobertura das mulheres que fazem parte da população alvo para o rastreamento, ou seja, tentar buscar mulheres que não estão procurando ou não estão tendo acesso às unidades de saúde para realizar seu rastreamento, o que seria a implementação de um rastreamento organizado.

10. Como as mulheres podem se informar de forma segura e buscar atendimento adequado para prevenção, diagnóstico e acompanhamento?

Paula: O ideal é sempre buscar informações em fontes institucionais confiáveis, como o Ministério da Saúde. Outra forma segura de obter informações é com profissionais de saúde qualificados, principalmente nas unidades básicas, aptos para esclarecer dúvidas e informações sobre o assunto, encorajando a vacinação e o rastreamento adequado.

No Brasil, a taxa de infecção genital por HPV chega a 54,4% entre mulheres que já iniciaram a vida sexual

(Fonte: Ministério da Saúde) Foto: Divulgação – SMS


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