Motta blinda BC: “Não pautaremos revisão da autonomia”

economia política
Na CEO Conference, presidente da Câmara descarta imposto sobre grandes fortunas, garante manutenção da autoridade monetária e projeta para maio a votação do fim da escala 6×1

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou nesta terça-feira (10) que a revisão da autonomia do Banco Central (BC) não está no horizonte do Legislativo. Durante sua participação por teleconferência na CEO Conference 2026, promovida pelo BTG Pactual, ele reforçou o papel dos deputados como garantidores da segurança jurídica e deu prazos para pautas sociais e econômicas de alto impacto.

Impostos

Motta foi enfático ao barrar discussões sobre interferência na autoridade monetária, pauta defendida por alas do governo e do PT. “Enquanto estivermos na presidência da Câmara, não pautaremos nenhuma revisão acerca da autonomia do BC. A instituição funciona bem e tecnicamente, sem interferência política”, declarou.

Sobre a criação de novos tributos, como o imposto sobre grandes fortunas, o deputado afirmou que “não vê janela” para aumentos em 2026, argumentando que o Congresso já entregou as ferramentas de arrecadação necessárias ao governo em 2025, no âmbito da Reforma Tributária.

Escala 6×1

Um dos pontos mais aguardados foi a definição do rito para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. Motta falou quais serão os passos.

  • Relator: Será definido logo após o Carnaval.
  • Prazo: Finalizar a votação na Câmara em maio, em alusão ao Dia do Trabalho.
  • Formato: O debate seguirá estritamente via PEC para garantir que todos os setores, incluindo empregadores, sejam ouvidos.
Penduricalhos e Reforma Administrativa

Hugo Motta elogiou a recente decisão do ministro Flávio Dino (STF) que barrou benefícios extras (penduricalhos) no serviço público, classificando-a como “feliz”. Ao mesmo tempo, defendeu o reajuste de 8% aprovado aos servidores da Câmara, alegando que seguiu os mesmos parâmetros do Judiciário e que o custo será absorvido pelo orçamento da Casa. “Devolveremos mais de R$ 700 milhões aos cofres públicos em 2026, mesmo com o reajuste”, pontuou.

Eleições

No campo político, observou uma cristalização das candidaturas.

  • Esquerda: Lula consolidado para a reeleição.
  • Direita: O senador Flávio Bolsonaro como o nome do PL, com o governador Tarcísio de Freitas cada vez mais inclinado a buscar a reeleição em São Paulo.
  • Centro: Citou o PSD, de Gilberto Kassab, como uma força que terá candidatura própria, com Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. ou Eduardo Leite. Mas lembrou que o apoio dos partidos de centro (como o seu, o Republicanos) ainda está em aberto.

Fonte: Money Report / Foto: Reprodução

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