Por Jorge Wellington (Portal Ipirá City) – Terça, 6 de janeiro de 2026
Com a solenidade de quem descerra uma placa de obra faraônica, a prefeita Adeilza Soares, de São Domingos (PB), inaugurou um mata-burro na zona rural. A cena, registrada e aplaudida por apoiadores, não ficou longe do espírito cívico-hiperbólico de Odorico Paraguaçu ao inaugurar o cemitério de Sucupira. Assim como o prefeito da ficção celebrava com pompa um equipamento cuja utilidade dependia, no fundo, da desgraça alheia (a necessidade de cadáveres), a prefeita encenava um marco de “progresso” para algo cujo valor só se comprova pela ausência do caos que deve evitar.
Odorico discursava sobre a “eternidade” enquanto calculava politicamente o primeiro óbito; Adeilza apresenta o mata-burro — estrutura simples e funcional do cotidiano rural — como grande conquista administrativa, transformando uma solução básica em evento político. Nos dois casos, a encenação do poder converte o ordinário em extraordinário, e a utilidade real do equipamento fica em segundo plano, ofuscada pelo espetáculo da autoridade premiando-se a si mesma. Afinal, no universo odórico da política, até um obstáculo para animais pode virar palanque.
Crédito video : @claudemi.batista@adeilzasoares40
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