Oscar 2026: Brasil pode se tornar 1º país fora da Europa a vencer categoria duas vezes seguidas

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Ganhar o Oscar de Melhor Filme Internacional duas vezes seguidas é um feito raro na história da premiação. Caso “O Agente Secreto” conquiste a estatueta no próximo dia 15, pouco mais de um ano após a vitória de “Ainda Estou Aqui”, o Brasil poderá entrar para um grupo extremamente restrito de países que conseguiram o chamado “bicampeonato” na categoria.

Desde que o prêmio passou a ser competitivo, em 1956, apenas quatro países alcançaram esse feito, segundo levantamento do g1. A Itália lidera a lista com três sequências de vitórias: em 1956 e 1957, com “A Estrada da Vida” e “Noites de Cabíria”; em 1963 e 1964, com “Oito e Meio” e “Ontem, Hoje e Amanhã”; e novamente em 1970 e 1971, com “Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita” e “O Jardim dos Finzi-Contini”.

A França também conseguiu três dobradinhas: em 1958 e 1959, com “Meu Tio” e “Orfeu Negro”; em 1972 e 1973, com “O Charme Discreto da Burguesia” e “A Noite Americana”; e em 1977 e 1978, com “Madame Rosa”, a “Vida à Sua Frente” e “Preparem Seus Lenços”.

Outros dois países também repetiram o título: a Suécia, com “A Fonte da Donzela” e “Através de um Espelho” (1960 e 1961), e a Dinamarca, com “A Festa de Babette” e “Pelle, o Conquistador” (1987 e 1988). Antes de 1956, a categoria não era competitiva. Entre 1947 e 1955, o prêmio funcionava como uma honraria especial, sem indicados. Nesse período, o Japão também venceu duas vezes seguidas, com “O Portão do Inferno” (1954) e “Miyamoto Musashi” (1955).

Se Kleber Mendonça Filho subir ao palco para receber a estatueta por “O Agente Secreto”, o Brasil se tornará o primeiro país fora da Europa a conquistar dois Oscars consecutivos na categoria desde que ela passou a ser disputada oficialmente. O principal concorrente é o filme norueguês “Valor Sentimental”, único outro indicado que também disputa o prêmio principal de Melhor Filme.

Apesar da dificuldade, alguns números oferecem certo conforto estatístico. Metade dos países que conseguiram o bicampeonato (Suécia e Dinamarca) alcançou o feito logo após conquistar seu primeiro Oscar, cenário semelhante ao brasileiro depois da vitória histórica de “Ainda Estou Aqui”. Historicamente, Itália e França dominam a categoria. Os italianos somam 14 estatuetas, recorde absoluto, enquanto os franceses acumulam 12 vitórias. Eles também lideram em indicações, com 33 para a Itália e 42 para a França. O terceiro país com mais troféus é o Japão, com cinco conquistas, três delas ainda na fase honorária do prêmio.

Ao todo, 15 países já ganharam o Oscar internacional mais de uma vez, enquanto 12 venceram apenas uma, grupo em que o Brasil ainda se encontra. Outros 32 países receberam indicações, mas nunca venceram. O recorde de frustrações pertence a Israel, com 10 indicações sem vitória.

Parte do domínio europeu se explica pela tradição cinematográfica desses países e pela presença de cineastas influentes, como Federico Fellini e René Clément, responsáveis por alguns dos títulos vencedores. Mas também há fatores institucionais. Durante décadas, para entrar na Academy of Motion Picture Arts and Sciences era necessário ser indicado por dois membros veteranos, o que favorecia redes de influência entre profissionais do mesmo país.

Nos últimos anos, porém, a Academia ampliou e diversificou seu corpo de votantes. O número de membros saltou de cerca de 6 mil em 2014 para mais de 10 mil atualmente, sendo que aproximadamente 30% vivem fora dos Estados Unidos. Estima-se que hoje existam cerca de 60 brasileiros na organização. A vitória de “Ainda Estou Aqui” também tende a impulsionar esse número, já que indicados ao prêmio passaram a ser automaticamente considerados para integrar a entidade.

Fonte: Alô alô Bahia /  Victor Jucá/Divulgação

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