Tese ajuda na duplicação da produção de vacinas contra a febre amarela

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Uma tese acadêmica desenvolvida na Fiocruz, intitulada Melhoria contínua de processos sob a ótica da saúde pública e do requisito regulatório: estudo de caso da produção do Insumo Farmacêutico Ativo da vacina de febre amarela atenuada, ajudou a duplicar e baratear a produção de vacinas contra febre amarela da própria Fundação. O trabalho, incorporado a um projeto de melhorias da vacina contra febre amarela, rendeu frutos e permitiu à Fiocruz duplicar a produção e incrementar a exportação para América Latina e África.

Defendida no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), a pesquisa de doutorado foi desenvolvida pela farmacêutica Caroline Ramirez, que era chefe do Laboratório de Febre Amarela do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), onde a proposta foi implementada. “Minha tese é baseada no conceito de melhoria contínua de processos, que é estudado na iniciativa privada, mas pouco explorado em instituições públicas”, explica a pesquisadora.

O primeiro passo do trabalho de Ramirez foi analisar uma plataforma estabelecida pela iniciativa privada, denominada Metodologia de Análise e Melhoria de Processo (Mamp). A farmacêutica testou e adaptou a Mamp à realidade da planta fabril de Bio-Manguinhos. “As empresas usam essas plataformas para aumentar o lucro econômico. Eu acrescentei a isso o impacto à saúde pública, o que pode ser entendido como o lucro social”, explica.

A adaptação acabou gerando uma nova matriz, denominada Basicor, cuja sigla deriva nas iniciais dos seguintes conceitos: benefício à saúde pública; abrangência dos resultados; satisfação do cliente interno e dos objetivos organizacionais; investimento requerido; cliente externo satisfeito; operacionalidade simples; e requisito regulatório. A farmacêutica esclarece a principal diferença entre a Mamp e a Basicor: “A primeira foca em resolver um problema no processo de produção; no nosso caso, contudo, não havia um problema, mas o processo poderia melhorar; ou seja, fazer mais com menos, daí nasce a Basicor”.

Após uma série de testes e ensaios, a pesquisadora observou uma oportunidade em relação à proporção de água e número de embriões de galinha usados para a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina contra a febre amarela. “Percebi que podíamos ter mais água e menos embriões e extrair mais vírus para o IFA”, conta. O resultado foi a duplicação da produção por um custo menor: “barateamos, já que a água para injetáveis é produzida pela própria fábrica de Bio-Manguinhos”, conclui.

Armi Nóbrega, orientador da tese e atualmente assessor da direção do IO resultado foi a duplicação da produção por um custo menorNCQS, afirma que “havia um déficit na produção de vacinas de febre amarela; esta pesquisa, que mescla laboratório com análise de produção, permitiu aumentar a oferta. Uma contribuição inestimável para o SUS e para a saúde pública em geral”.

Fonte: Agência Fiocruz / O resultado da pesquisa foi a duplicação da produção por um custo menor (Foto: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/Fiocruz)

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