Tese de professora feirense inspirou enredo da Beija-Flor no Carnaval do Rio 2026

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O desfile da escola Beija-Flor de Nilópolis, vice-campeã no Carnaval do Rio de Janeiro deste ano, levou para a Marquês de Sapucaí o “Bembé do Mercado”, maior candomblé de rua do mundo, e teve como fundamentação a pesquisa da historiadora e professora feirense Ana Rita Machado.

O desfile realizado na última segunda-feira (16), foi apontado como um dos mais fortes da noite e colocou a escola entre as favoritas ao título.

A Professora doutora e pesquisadora é reconhecida como a principal autoridade acadêmica sobre a religião de matriz africana. Ana Rita, desenvolveu a tese durante o doutorado na Universidade Federal da Bahia e sua pesquisa foi o documento central para o reconhecimento do Bembé como patrimônio imaterial da Bahia e, posteriormente, do Brasil.

Em entrevista ao programa “Sem Censura”, da TV Brasil, a historiadora destacou a importância de ver o Bembé representado na grande vitrine do carnaval brasileiro, ampliando o debate sobre memória, ancestralidade e patrimônio cultural.

“Eu sou historiadora de formação e me interesso por recontar essa memória social que foi o tempo todo escondida e que conta a minha história e a história da minha avó, dos meus pais… Assim como uma Nilópolis, somos uma comunidade (as pessoas que fazem o Bembé) que é uma família. Em 2025, quando, justamente estava aprofundando a minha pesquisa Pai pote começa a fazer a festa. Ele fez até 2009, quando eu defendi a tese e fui para o Mercado falar sobre essa festa e devolver para a comunidade”, conta.

A docente diz ainda que recebeu com surpresa a grande repercussão do texto que norteou o pedido para que a festa fosse considerada Patrimônio histórico.

“A partir disso aí que a gente tem, para mim foi uma grande surpresa, que a festa ganha grande repercussão e as pessoas começam a entender. Pai Pote muito inteligente, percebe que aquele texto é significativo e ele vai, junto com Pai Sereno, com pedido de registro do Bembé, feito ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e aquele texto é o que dá base para que a festa seja considerada Patrimônio Imaterial da Bahia. Em 2019 ele entra pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) foi considerado patrimônio do Brasil”

Formada em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Ana Rita é professora na Universidade do Estado da Bahia, em Santo Antônio de Jesus, e também ministra aulas em instituições de Salvador e Santo Amaro, onde acontece a celebração do Bembé. Ela costuma dizer que “sua casa é a estrada”, sem nunca deixar de retornar a Feira, onde vivem suas filhas e familiares.

Além da trajetória acadêmica, Ana Rita é integrante do próprio Bembé, unindo vivência religiosa e rigor científico em sua pesquisa. No Rio, seu trabalho ajudou a Beija-Flor a traduzir para a avenida a complexidade histórica, social e espiritual da celebração, que nasceu como ato de resistência negra após a abolição da escravidão. 

Fonte: Jornal Folha do Estado / Foto: Divulgação

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