Entre fevereiro e abril, o Instituto Walter Leser da FESPSP organiza debates para discutir emendas parlamentares, gestão e atenção básica – e como ampliar os gastos é essencial. Nas mesas, Aparecida Pimenta, Mariana Melo e Francisco Funcia
Por Gabriela Leite
Aumentar o gasto público com Saúde, acabar com medidas de austeridade fiscal e rever a política econômica conduzida pelo Banco Central: só assim o SUS poderá contar com o financiamento necessário, sugeriu Francisco Funcia, economista, presidente da ABrES e consultor do CNS, em artigo publicado ao fim de 2025. “Devemos evitar o fetiche da eficiência. Sem recursos não é possível aprimorar a gestão”, defendeu a economista também ligada à ABrES Mariana Alves Melo, em entrevista ao Outra Saúde. “O cenário político opera com lógica de mercado e se preocupa com ‘entregas’ imediatistas. E isso depende muito de acordos espúrios”, discursou Cidinha Pimenta, médica sanitarista, em debate no Seminário SUS 35 Anos.
Agora, estes três nomes essenciais ao debate de economia e gestão da saúde se reúnem para conduzir o ciclo Diálogos sobre o SUS. O Instituto Walter Leser da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (IWL-FESPSP), agora sob coordenação de Cidinha, é o organizador desses debates que se estenderão entre fevereiro e abril. A iniciativa reúne esses três especialistas para discutir a fundo um dos temas mais sensíveis e estratégicos para o futuro da saúde pública brasileira: o financiamento do sistema.
A programação, organizada em três módulos, abordará questões centrais para a compreensão e o aprimoramento da alocação de recursos no sistema. No dia 27 de fevereiro, a próxima sexta, o debate de abertura será “Emendas Parlamentares no SUS: Execução e Exigências em 2026”. A discussão parte do reconhecimento de que o aumento da destinação de emendas, em um cenário de disputa entre o direito universal e a lógica neoliberal, representa um desafio à equidade e ao planejamento interfederativo, fragilizando a participação social e a organização regional da saúde.
Em 25 de março, o foco se volta para o “Planejamento no SUS e a Programação Orçamentária”. O encontro pretende destrinchar o emaranhado técnico e normativo que envolve a elaboração das peças orçamentárias no âmbito do SUS. Por fim, em 24 de abril, o ciclo se encerra com o debate sobre o “Financiamento Federal da Atenção Primária em Saúde (APS): cálculo dos indicadores”, analisando os desafios históricos e o novo modelo alocativo da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) em implementação desde 2024.
Os encontros são virtuais, gratuitos e acontecem sempre das 9h às 12h, com transmissão online e espaço para interação com o público. O objetivo é contribuir na formulação de propostas que promovam soluções e melhorias no campo da saúde pública brasileira frente ao cenário atual do país e do SUS.
Acompanhe a programação completa no site do Instituto Walter Leser.
Fonte: Outra Saúde / Créditos: Conselho Nacional de Saúde