Setor projeta reajuste inevitável de até 10% na farinha; quebra de safra global e dólar alto pressionam os custos de produção
O bolso do consumidor brasileiro sentirá o peso da alta nas commodities agrícolas nas próximas semanas. Com a escalada do preço do trigo no mercado internacional e interno, a indústria de panificação e massas prepara um repasse de custos. Segundo a T&F Consultoria, o reajuste no preço da farinha — principal insumo do setor — deve ocorrer já em abril, com altas estimadas entre 5% e 10%.
Atualmente, a tonelada da farinha é negociada entre R$ 1.970 e R$ 2.000. O cenário é tão crítico para os moinhos que, em alguns casos, tem sido mais rentável revender o grão bruto do que processá-lo, o que torna o aumento ao consumidor final praticamente inevitável.
Por que o preço está subindo?
A pressão vem de uma combinação de fatores climáticos e geopolíticos que reduziram a oferta global:
- Clima adverso: Cerca de 55% das lavouras de trigo de inverno nos EUA enfrentam seca severa. A produção mundial para 2026/27 está estimada em 822 milhões de toneladas, volume inferior ao recorde anterior.
- Câmbio e frete: O dólar acima de R$ 5,30 encarece a importação do grão. Além disso, os custos logísticos subiram pelo menos 10% recentemente.
- Tensões geopolíticas: Conflitos no Mar Negro e no Oriente Médio seguem gerando instabilidade nas principais rotas de exportação.
Impacto no carrinho de compras
O pão francês deve ser o primeiro item a registrar aumento nas gôndolas e padarias, seguido por massas secas e biscoitos. No mercado interno, o trigo produzido no Paraná já atinge os R$ 1.400 por tonelada, enquanto o grão importado pode chegar a custar R$ 1.712 a tonelada, dependendo da origem.
Para tentar conter os danos, algumas indústrias e grandes compradores anteciparam estoques, enquanto outros buscam misturas de farinhas mais baratas para tentar suavizar o repasse final aos clientes.
Fonte: Money Report