Lançado o financiamento coletivo do evento que irá formular as diretrizes pelo futuro de um SUS 100% público e à altura do povo brasileiro.
O Movimento Sanitário continua capaz de reinventar-se, e uma prova dessa vivacidade é a criação das Conferências Livres, Democráticas e Populares de Saúde, propõe a socióloga e sanitarista Sonia Fleury. Essa inovação, que abre espaço a toda a sociedade brasileira contribuir para as definições do futuro da saúde no país, acontece agora e culminará em sua etapa nacional no dia 7 de agosto, no Rio de Janeiro. O momento é decisivo: com a aproximação do período eleitoral, chega a hora de traçar as diretrizes para uma política de saúde para o Brasil nos próximos anos. O evento é proposto pela Frente pela Vida, rede que reúne movimentos sociais que estiveram historicamente ligados à construção do SUS e aqueles que têm a sua defesa como uma de suas bandeiras principais.
Para que o evento seja vibrante e mobilize os ativistas, pensadores, trabalhadores e usuários do SUS, seus organizadores lançaram uma vaquinha virtual. Lutar por um SUS forte, público, com ampla participação popular e digno do povo brasileiro significa ir contra os interesses de poderosos. A saúde privada e seus defensores têm recursos abundantes e farto patrocínio para disseminar suas ideias – já quem está do lado oposto não conta com a mesma facilidade. O financiamento coletivo busca arrecadar recursos para custear o aluguel do espaço onde o evento será realizado e contratação de serviços como sonorização, filmagem, iluminação, locação de mobiliário, link de internet, ambulância, brigadista civil e segurança. Clique aqui para contribuir.
“A gente tem que fazer com que a saúde seja uma das alavancas possíveis do desenvolvimento da dinâmica econômica. E, mais que isso, imperativo ético e parâmetro de aferição de qualquer projeto de país minimamente civilizado, minimamente decente”, discursou Carlos Fidelis, presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), no lançamento da 2ª Conferência Livre, Democrática e Popular de Saúde. A democracia segue sob risco, lembraram os presentes na ocasião, e o SUS pode ser um projeto aglutinador daqueles que lutam por uma vida digna para todos.
Entre os eixos centrais propostos pelos organizadores do evento, estão a luta por um SUS 100% público, com financiamento adequado, preparado para novas crises sanitárias e para a crise climática, com uma indústria nacional pujante, com ampla participação social e que garante o caráter soberano das transformações digitais. A luta contra todas as desigualdades está na base de suas formulações.
As etapas preparatórias para o evento também são essenciais para que ele seja representativo das necessidades do país. A organização destaca o caráter realmente livre da 2ª Conferência: qualquer grupo, movimento ou coletivo pode propor um encontro preparatório. Basta que, ao final, os proponentes enviem uma lista de presença, a ata do encontro e até 5 propostas para serem debatidas na etapa nacional. A 2ª Conferência Livre, Democrática e Popular de Saúde indicará delegados para participarem da 18ª Conferência Nacional de Saúde, que será realizada em Brasília em 2027.
Fonte: Outra Saúde