Por Lorena Scavone Giron
Alta dos preços pode levar à interrupção de tratamentos e elevar custos das empresas com saúde e produtividade
O reajuste dos preços de medicamentos passou a valer na terça-feira (1º) e já levanta preocupações não apenas para consumidores, mas também para empresas. Segundo especialistas, o aumento pode gerar impactos indiretos relevantes nos custos corporativos com saúde, especialmente quando trabalhadores interrompem tratamentos por questões financeiras.
De acordo com dados da Vidalink, que acompanha 1,1 milhão de usuários, o encarecimento dos remédios pode levar colaboradores a abandonar tratamentos contínuos, o que tende a resultar, no médio prazo, em internações, afastamentos e queda de produtividade. A empresa aponta que esse efeito costuma passar despercebido pelas áreas de recursos humanos.
“Quando o preço do remédio sobe e o empregador não oferece suporte, o colaborador tende a interromper o tratamento. Esse custo reaparece meses depois, na forma de internações ou perda de produtividade”, afirma Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink.
O cenário ganha ainda mais relevância diante do crescimento das demandas por saúde mental. Segundo o levantamento, 1 em cada 12 trabalhadores já utiliza medicação para esse tipo de condição, enquanto 63% relatam sintomas como ansiedade ou desmotivação com frequência.
“Quando há descontinuidade no tratamento, especialmente em saúde mental, os impactos no ambiente de trabalho são diretos, com aumento do absenteísmo e redução do engajamento”, afirma Ana Carolina Peuker, psicóloga e CEO da Bee Touch, startup especializada em saúde emocional corporativa.
Além disso, a interrupção de tratamentos para doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, está entre os principais fatores associados ao aumento da sinistralidade dos planos de saúde corporativos, que registraram reajustes entre 14% e 19% em 2025.
O reajuste autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) pode chegar a 3,81%, com média estimada em 1,95%. Embora o impacto individual pareça limitado, especialistas alertam que o efeito acumulado pode pressionar tanto o orçamento das famílias quanto o das empresas.
Diante desse cenário, cresce a discussão sobre a adoção de programas corporativos de apoio à compra de medicamentos como estratégia para reduzir custos futuros e preservar a saúde dos colaboradores.
Fonte: Money Report