Desigualdades no acesso ao pré-natal

saúde

• Por que as gestantes interrompem o pré-natal • Menos internações psiquiátricas: boa notícia? • Imunoterapia inovadora, bloqueada por patentes • E MAIS: cigarros eletrônicos; câncer de intestino; imunobiológicos; adoçante •

Por Gabriel Brito e Sophia Vieira

Se por um lado o pré-natal foi universalizado no Brasil, por outro, parece cada vez mais difícil que gestantes o cumpram por completo. A recomendação do Ministério da Saúde é de sete consultas durante toda a gestação, mas de acordo com pesquisa do Centro Internacional de Equidade em Saúde, da Universidade Federal de Pelotas, cerca de 20% das gestantes não completam todo o ciclo antes do parto.

Os dados revelam que o contexto socioeconômico é decisivo no acompanhamento. Dividida em subgrupos, a pesquisa mostrou que mulheres brancas e com mais anos de escolaridade realizam todas as consultas com maior frequência, enquanto indígenas ficam no lado oposto do ranking, também em razão das dificuldades geográficas. As desigualdades etárias e regionais também se reafirmam nos dados compilados

Como corroborado por Cesar Victora, ouvido pela Folha de S. Paulo, os resultados são uma demonstração prática de como desigualdades sociais se refletem em indicadores de saúde. Neste contexto, apesar de um determinado serviço estar disponível a todos os setores da população, questões sociais interferem em seu usufruto real.

Internações psiquiátricas em queda

As internações psiquiátricas no SUS caíram cerca de 50% entre 2008 e 2022, acompanhando a mudança de modelo impulsionada pela reforma psiquiátrica brasileira. Em vez de priorizar hospitais, a política passou a apostar no cuidado comunitário e territorial, com serviços como os CAPS, buscando reduzir a lógica de isolamento e ampliar o atendimento em liberdade.

Mas essa queda não pode ser lida automaticamente como avanço pleno. Ela também expõe limites da rede substitutiva, que nem sempre consegue absorver a demanda, especialmente nos casos mais graves. O desafio hoje é consolidar essa rede com estrutura, financiamento e articulação suficientes para garantir cuidado contínuo sem retomar a centralidade das internações.

Câncer: nova onda de imunoterapias pode ser para poucos

O pembrolizumabe, conhecido como Keytruda, é um novo tipo de imunoterapia que tem evitado milhares de mortes em pacientes com câncer. O fármaco em questão é um inibidor de checkpoint PD-1, usado na imunoterapia para ajudar o sistema imunológico a atacar células cancerígenas. Já aprovado para o combate a 19 tipos de câncer, a droga é vendida no Brasil por mais de R$ 20 mil. Isso se dá pela patente mantida pela farmacêutica norte-americana Merck Sharp & Dohme (MSD).

A questão da inacessibilidade por patentes a medicamentos que poderiam salvar milhares de vidas é recorrente. Lenacapavir e dolutegravir poderiam ser mais relevantes no combate ao HIV/aids, sofusbuvir  no combate à hepatite C. No caso do pembrolizumabe, uma investigação internacional conjunta apontou que a empresa tem se utilizado de uma combinação de estratégias para determinar, através de sistemas de preços, quem terá uma chance na luta contra o câncer.

• Vapes ilegais

Pesquisa encabeçada por cientistas da PUC-RS detecta substâncias tóxicas nos cigarros eletrônicos que podem prejudicar pulmões ao ponto de exigirem transplantes. Uma das pesquisadoras explica: os vapes não supervisionados podem apresentar substâncias não padronizadas ou reconhecidas, apresentando riscos ainda maiores. Saiba mais

• Câncer de intestino

Estudo projeta aumento de mortes e de perda de produtividade por câncer de intestino. A pesquisa aponta que o total de óbitos deve crescer 2,7 vezes nos próximos cinco anos em relação ao período 2001-2005 e o custo por saída do mercado de trabalho, aumentar 5,4 vezes. Entenda os números

• Produção de imunobiológicos

David Kershenobich, ministro da Saúde do México, visitou a Fiocruz para debater a ampliação da cooperação bilateral em saúde. O enfoque se deu na produção de imunobiológicos, na medicina translacional e na articulação em frentes de ciência e tecnologia. Conheça mais sobre essa relação

• Consumo de adoçantes 

Um novo estudo aponta que efeitos negativos do consumo de adoçantes para a saúde podem continuar no longo prazo e mesmo persistir nas seguintes gerações. A pesquisa, atualmente ainda restrita a camundongos, mostra danos relacionados à flora intestinal e tolerância à glicose. Confira o estudo

Fonte: Outra Saúde / Créditos: Wellika Matos/Prefeitura Municipal de Boa Vista




Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *