Por Jorge Wellington ( Portal Ipirá City) – Sábado, 13 de junho de 2026
EUA, 12 de junho de 2026 — Era para ser uma estréia. Era para ser cautela, estudo, respeito. Alguém esqueceu de avisar os Estados Unidos.
A Copa do Mundo 2026, que começou na última quinta-feira (11) espalhada por México, Canadá e Estados Unidos, já tem seu primeiro susto, sua primeira goleada, seu primeiro aviso. E veio dos anfitriões. Não de forma modesta, educada, como quem pede licença. Veio como um furacão que toca o solo sem pedir permissão.
O Paraguai entrou em campo sabendo que o desafio seria grande. Saiu do gramado do SoFi Stadium, em Los Angeles, tentando entender o que exatamente o atingiu. Foram 45 minutos avassaladores. Um primeiro tempo de impossibilidade rítmica. Algo jamais pensado, jamais ensaiado, jamais imaginado nos manuais sul-americanos de como jogar uma estréia de Copa.
A seleção paraguaia passou os primeiros 45 minutos em retaguarda completa. Recuada, encolhida, sem conseguir sequer cruzar a linha do grande círculo central. Não por opção tática. Por pura imposição. O que se viu foi um time acuado, respirando com dificuldade, como boxeador que leva golpes antes mesmo de saber que a luta começou.
Seis minutos. Só seis minutos. Tempo suficiente para o destino tomar seu primeiro capricho. Pulisic, o maestro norte-americano, encontrou McKennie. O cruzamento veio rasteiro, venenoso, na direção da área. E Bobadilla — o mesmo Bobadilla que defende as cores do São Paulo no Campeonato Brasileiro — em um daqueles infortúnios que assombram qualquer defensor, desviou contra o próprio patrimônio. Gol contra. 1 a 0. Começo anunciado.
Mas não era apenas o começo. Era o prenúncio.
Aos 31 minutos, com o ritmo já frenético, a ampliação tornou-se inevitável. E veio pelo mesmo lado. Pelo mesmo homem. Pulisic, outra vez, comandando a orquestra da linha esquerda. Cruzou firme. E lá estava ele: presente, forte, focado. Balodoum. Guardem esse nome. Gravem em letras garrafais. Porque o que ele fez naquele primeiro tempo nunca havia sido feito em 96 anos de Copa para um jogador dos Estados Unidos.
Dois gols. Em uma mesma partida. Em uma estréia.
O último americano a marcar mais de um gol em um jogo de Copa do Mundo foi Bert Patenaude, na Copa de 1930. Isso mesmo: 1930. Há quase um século. E Balodoum não apenas repetiu o feito — o superou com classe. Nos acréscimos do primeiro tempo, ele soltou um golaço. Finalizou como quem fecha um show que já era avassalador. O primeiro tempo terminou 3 a 0, mas o placar, naquele momento, já parecia até generoso com os paraguaios.
Segundo tempo: esperança fugaz, realidade cruel
O intervalo trouxe algo diferente. O Paraguai, talvez no vestiário, tenha recuperado um pouco da alma. E nos primeiros 8 minutos da etapa inicial, ensaiou uma reação. Maurício apareceu e diminuiu: 3 a 1. Enciso, aquele jogador habilidoso que tempera o meio-campo paraguaio, participou, tentou, acreditou.
Por alguns instantes, o torcedor paraguaio pode sonhar. Pode pensar: “Vamos conseguir”. Mas o sonho durou o que dura um suspiro em dia de altitude.
Os Estados Unidos não se assustaram. Não recuaram. Não especularam. Simplesmente voltaram a impor o mesmo ritmo. Agora, com mais posse de bola. Com mais paciência. Com mais veneno. Eram donos da partida como quem sabe que está jogando em casa — afinal, eles são anfitriões.
E no finalzinho, quando o cansaço já rondava e o resultado já estava definido, Reyna resolveu dar o toque final. Invadiu a área como quem passeia em um jardim conhecido. E de três dedos, com categoria, colocou a bola no fundo do barbante. 4 a 1. Goleada. Estréia histórica. Estilo. Classe. Imposição.
A nova ordem?
No momento em que encerramos esta crônica, os Estados Unidos assumem a liderança isolada do grupo. E mais: têm o artilheiro momentâneo da Copa. Balodoum, dois gols. Mas a sensação que fica não é apenas numérica. É de potência. De que algo mudou.
O Paraguai, coitado, sai atordoado. Vai ter que se reencontrar. Vai ter que esquecer esse primeiro tempo para sempre. Porque futebol se joga 90 minutos, sim. Mas também se perde em 45. E ontem, foram 45 de puro furacão americano.
Cuidado, mundo. Os Estados Unidos aprenderam a jogar futebol. E pelo visto, não vieram para fazer figuração em casa.
Placar final: EUA 4 x 1 Paraguai
Gols: Bobadilla (contra, 6′), Balodoum (31′ e 45+2′), Reyna (final) — Maurício (8′ 2T)
Destaque: Balodoum, primeiro americano com dois gols em uma mesma partida de Copa em 96 anos.