Rede Nacional de Cursinhos Populares oferece apoio técnico e financeiro a iniciativas populares e comunitárias que preparam estudantes para o Enem e outros processos seletivos de acesso à educação superior pública
ara muitos estudantes, chegar à educação superior começa antes da inscrição em uma universidade. É na sala de aula de um cursinho popular, muitas vezes nos fins de semana e em espaços comunitários, que os conteúdos do ensino médio são revisados, dúvidas são compartilhadas e planos para o futuro começam a ganhar forma.
É nesse contexto que atua a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), iniciativa do Ministério da Educação (MEC) lançada em março de 2025. Coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), a CPOP apoia cursinhos populares e comunitários voltados à preparação de estudantes que buscam ingressar na educação superior, especialmente por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A iniciativa foi criada no âmbito da Lei nº 10.558/2002, que instituiu o Programa Diversidade na Universidade. A CPOP também está articulada a outras políticas de acesso à educação superior, como a Lei de Cotas, o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Como funciona – Os cursinhos apoiados pela CPOP têm como público prioritário estudantes oriundos da escola pública, com renda familiar per capita de até um salário mínimo, além de indígenas, pessoas com deficiência, negros e quilombolas que buscam ingressar na educação superior.
Para integrar a rede, os cursinhos devem oferecer suas atividades de forma integralmente gratuita. Não é permitida a cobrança de taxas de inscrição ou mensalidades dos estudantes.
O apoio do MEC inclui recursos financeiros destinados ao pagamento de educadores, coordenadores e profissionais de apoio técnico-administrativo, bem como ao pagamento de auxílio-permanência de R$ 200 mensais, durante seis meses, para até 40 estudantes por unidade.
Além do suporte financeiro, a rede trabalha na elaboração de orientações voltadas à preparação para o Enem e conta com uma Coordenação Nacional de Monitoramento e Avaliação. Também promove o Encontro Nacional da Rede de Cursinhos, espaço destinado ao acompanhamento e à troca de experiências entre as iniciativas participantes.
No dia a dia, o trabalho vai além da revisão de conteúdos cobrados nas provas. No projeto Confluências de Educação Popular, por exemplo, a preparação para a educação superior também envolve atividades de formação crítica e acompanhamento psicossocial.
“No cursinho, eu aprendo as matérias escolares de uma forma dinâmica e totalmente diferente. Nós, estudantes, somos ensinados a aprender exatamente o que nos levará à aprovação em universidades. Sou ensinada que as universidades são, sim, o meu lugar e que é lá o lugar que devo ocupar”, conta Geovana Azevedo, estudante do projeto.
Segundo ela, a iniciativa também promove momentos de debate e acompanhamento voltados ao bem-estar dos estudantes. “Há uma dinâmica chamada ‘Círculo’, em que debatemos sobre assuntos que edificam o senso crítico, além de momentos com psicólogos, para ajudar com a saúde mental de nós, estudantes”, relata.
A atuação dos professores também busca aproximar os conteúdos da realidade dos alunos. Para Giovanna Lauana, professora do projeto, uma das diferenças está na forma de apresentar os conteúdos.
“A principal diferença que eu observo com relação ao conteúdo é que a gente tenta apresentar os conteúdos de forma mais social. A gente busca viabilizar um espaço para esses estudantes em que eles consigam compartilhar as suas vivências, a sua rotina, a sua realidade”, explica.
Ela destaca ainda a participação dos estudantes no processo de aprendizagem. “Possibilitar que eles tenham um espaço mais ativo de fala para compartilhar o que eles acham, quais são as dificuldades e com quais conteúdos eles se identificam”, completa.
O acompanhamento pode envolver também questões que ultrapassam o desempenho acadêmico. Maria Clara Ribeiro, coordenadora psicossocial do Confluências de Educação Popular, explica que os profissionais lidam com diferentes aspectos da realidade dos estudantes.
“Quando a gente trabalha em algum cursinho de pré-vestibular, de educação popular, principalmente na periferia, a gente é atravessado por diversas histórias”, afirma. Segundo ela, questões familiares, dificuldades financeiras, ansiedade, cobranças e expectativas fazem parte das demandas apresentadas pelos estudantes.
“O psicossocial vai atender justamente a essas demandas. A gente escuta muito lá que sábado é o dia de alívio deles, por eles estarem conseguindo estudar, por eles estarem conseguindo construir passo a passo do futuro deles”, relata.
Quem pode participar – A CPOP é voltada prioritariamente a estudantes em situação de vulnerabilidade social que desejam ingressar na educação superior. Entre os grupos priorizados estão estudantes oriundos da rede pública, pessoas com renda familiar per capita de até um salário mínimo, indígenas, pessoas com deficiência, negros e quilombolas.
Os estudantes devem procurar as iniciativas que integram a rede e verificar os critérios e os procedimentos de participação de cada cursinho. Como as atividades apoiadas pela CPOP são gratuitas, não há cobrança de mensalidade ou taxa de inscrição.
Para acompanhar informações sobre a CPOP, seus editais e iniciativas participantes, os interessados devem consultar os canais oficiais do MEC.
A proposta da CPOP é fortalecer os cursinhos populares e comunitários e ampliar as condições de preparação de estudantes para o Enem e para o acesso à educação superior. A iniciativa também busca estimular a participação dos jovens em políticas de acesso e permanência na educação superior e contribuir para a ocupação de vagas em cursos de graduação de instituições federais.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi / Foto: Wilson Dias/Agência Brasil