A biografia de meu avô se confunde com a história de gente que construiu a vida em cima de muita labuta e vontade que as coisas dessem certo, lá por volta dos anos 30! Sem mão grande, lutou até o fim, endureceu nos momentos que as condições impôs, segurando a barra, sem perder o lado terno e amoroso; marca genuina de sua natureza; um homem tímido, mas de boa fala, apesar do pouco estudo escolar, o empirismo fino e detalhado se costurava no palavreado simples, imagético e cheias de onomatopeias: ilustração real do semiárido baiano – das redondezas do velho camisão – vivências e situações embaraçosas, curiosas, engraçadas; na época em que iniciou o seu primeiro trabalho; a profissão de Tropeiro.
A nós familiares, o orgulho era e é dizer ” sou parente de Eunápio Gusmão ” ; embora não fosse uma figura pública ou carregasse títulos, levava em si a maior honraria: a grandeza de seus gestos de bom compadre por onde passou; um homem de reza na hora de dormir, vivia a olhar as nuvens para ver se vinha chuva para acabar as secas recorrentes.
“Seu Nápio ” como assim era chamado, não se curvava às dificuldades do homem do campo. Ainda novo se enveredou por povoados e cidades circunvizinhas; isso tudo a pé, vendeu artefatos
de couro: jaleco, chapéu , gibão ( feitas por ele e minha vó ) até depois de algum tempo
comprar o seu primeiro burro no qual nomeou de Gabinete, este, serviu – lhe para fazer viagens mais longas ( naquela época um carro de luxo ) . Por fim, seguiu o rumo da história, do rio fluente que transpõe as pedras no caminho; e assim fez-se dos feitos, saga. Um legado inestimável, o de ser honesto, singularidade dos homens de boa fé.