ESPN.com.br – Sexta, 19 de junho de 2026
Em maio de 2022, alguns meses antes do início da Copa do Mundo do Qatar, Matt Freese se formou em economia na tradicional universidade de Harvard. Quatro anos depois, neste junho de 2026, ele é o goleiro titular dos Estados Unidos no Mundial disputado em solo norte-americano.
Quando era um universitário, o atleta, hoje com 27 anos, só sonhava com a possibilidade de defender seu país. A estreia na seleção estadunidense aconteceu apenas no ano passado. Ele conseguiu realizar o sonho, mas não sem antes cumprir a “missão” de estudar.
Matt Freese tinha quase uma obrigação na vida acadêmica. Ele é filho de Andrew Freese, um notável neurocirurgião e pioneiro da terapia genética. O pai do goleiro foi chefe de neurocirurgia e diretor médico neurológico do Hospital Brandywine — realizou com sucesso a primeira cirurgia de terapia genética para curar uma doença neurológica. Operou ferimentos por arma de fogo, curou paralisia, ajudou uma criança de três anos que tinha uma doença rara que deteriorava o cérebro a ter mais longevidade e permitiu que pacientes vivessem mais de uma década além da expectativa de vida.
Com esse currículo e uma obsessão por tentar salvar vidas, Dr. Freese queria que seus filhos, mesmo que não seguissem seus passos, realizassem algum “trabalho útil” para “servir à sociedade”.
Matt entrou em Harvard com o objetivo de ter uma dupla graduação em economia e ciência da computação, mesmo já sonhando com o futebol. Cursou a faculdade por três semestres, mas, em 2018, deixou o curso para se tornar jogador profissional no Philadelphia Union.
O pai, Andrew, tinha muitas dúvidas sobre a escolha do filho. Ele morreu em julho de 2021, aos 61 anos, sem ver Matt alcançar o sucesso como goleiro de futebol. Antes de falecer, porém, entendeu a escolha do seu caçula.
“Meu pai era uma pessoa incrivelmente inteligente. Muitos membros de sua família, ao longo de gerações, eram professores, cientistas e médicos renomados. Inteligência fora de série. E meu pai certamente tinha esse intelecto. Ele era muito talentoso, trabalhador e atencioso. Como médico, dedicou sua vida a ajudar os outros”, disse Matt.
“Ele estava mais focado em salvar vidas do que a própria vida. Não é uma reclamação. É uma afirmação de orgulho, porque mostra o quanto ele se importava com os outros”, acrescentou.
“Eu não diria que ele tinha uma visão de como queria que eu vivesse minha vida, mas não acho que ele visse um grande altruísmo social no esporte profissional. Ele achava que era uma carreira potencialmente egoísta”, completou.
Um ano após deixar Harvard, Matt voltou à universidade, agora reduzindo a grade curricular apenas em economia, e cursou todas as disciplinas online ou viajando sempre que precisava fazer uma prova.
“Foi difícil, mas foi extremamente benéfico”, disse Freese. “Quando você é um atleta profissional de 20 anos, é um pouco difícil manter o foco. Estar nas aulas, no computador todos os dias, me obrigou a ficar superconcentrado e a não fazer coisas que não deveria. Isso me manteve dentro de uma rotina e um cronograma que eu não sei se conseguiria ter de outra forma”.
Ele não contou aos professores que era um atleta profissional, “fingindo” ser somente um estudante que morava longe da universidade. Mesmo depois de formado, manteve uma rotina rígida.
“Para goleiros, a rotina é provavelmente a parte mais importante da preparação para um jogo. Eu diria que é ainda mais importante do que o treino. Para um goleiro, você tem três momentos para se mostrar em um jogo e precisa estar pronto. Fazer as mesmas coisas e as mesmas rotinas, que sei que funcionaram para mim depois de oito anos aperfeiçoando-as, me deixa muito confiante para entrar em campo, sabendo que fiz tudo o que preciso para estar com a mentalidade certa, totalmente presente e sem me distrair com nada”.
Toda a dedicação faz com que ele seja o primeiro jogador formado em Harvard a disputar uma Copa do Mundo. Ele entrará em campo mais uma vez nesta sexta-feira (19), às 16h (de Brasília), contra a Austrália. Será o segundo jogo dos Estados Unidos neste Mundial. O país venceu o Paraguai por 4 a 1 na estreia.
Onde assistir a Estados Unidos x Austrália?
Estados Unidos x Austrália, nesta sexta-feira (19), às 16h (horário de Brasília) terá transmissão ao vivo da CazéTV, disponível sem custo adicional no Disney+.
Fonte: ESPN Brasil / Matt Freese, goleiro dos Estados Unidos, em jogo contra o Paraguai na Copa do Mundo Getty Images