Conhecido por propagar benefícios à saúde além do sabor, mercado de bebidas funcionais já vale US$ 160 bilhões — e deixa os maiores fabricantes em busca de novas empresas
Marcas de bebida, restaurantes e redes de fast food vivem um verdadeiro turbilhão para mudarem seus cardápios tão rápido quanto as famosas “canetas” emagrecedoras se espalham no mercado. Com foco na geração de aficcionados pelo bem-estar, a indústria vem adaptando clássicos para encaixarem na nova realidade: ao beberem um drink ou tomarem o refrigerante, consumidores querem se sentir bem sobre a decisão que fizeram, por mais não recomendável que seja.
A prateleira de bebidas funcionais, com algum tipo de modificação que passe uma mensagem de benefício à saúde, está aumentando cada vez mais. Segundo a consultoria Mordor Inteligence, esse mercado global é avaliado em US$ 160 bilhões. Afinal, uma mudança de fórmula pode deixar o consumidor mais disposto a levar o produto para casa, de acordo com a consultoria EY, cuja pesquisa mostra que 52% dos clientes estão dispostos a gastar mais em itens que ajudem a cumprir metas ou objetivos mais saudáveis.
Marcas como a rede de cafés Stabucks vêm apostando em drinks funcionais para fisgar novos clientes, mais jovens e acostumado com mudanças em produtos clássicos voltadas para o bem-estar. Desde 2025, a rede vende cafés com alto teor de proteína nos Estados Unidos, Europa e no Canadá para conquistar o consumidor que recorre a iogurtes e bebidas lácteas de proteína com sabor de café.
Em entrevista à emissora CNBC, Sam Henderson, diretor de desenvolvimento de bebidas do Starbucks para Europa, Ásia e Oriente Médio, diz que as bebidas com proteína são tão vendidas quanto as tradicionais no menu: “Estamos vendendo quase tanto quanto os flat whites.”
Os drinks funcionais também movem negócios bilionários: a francesa Danone comprou a fabricante de bebidas proteícas Huel por US$ 1,15 bilhões, ao mesmo tempo em que a Pepsico comprou a startup de bebidas Poppi, que produz sodas. A Coca-Cola não foi ao mercado, e sim criou sua própria marca de refrigerantes probióticos: a Simply Pop.
Mas a eficácia das bebidas e alimentos funcionais é contestada por especialistas. À CNBC, nutricionistas e médicos alertam que a maior autoridade de saúde, a FDA — que desempenha o mesmo papel da Anvisa no Brasil — não supervisiona o segmento de suplementos de perto. A recomendação é de que os consumidores busquem as substâncias presentes nos produtos funcionais nos próprios alimentos.
Fonte: Money Report