Brasil supera 209 milhões de testes rápidos para hepatites B e C na APS

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Um levantamento do Instituto epHealth mostra que a Atenção Primária à Saúde (APS) brasileira já realizou mais de 209 milhões de testes rápidos para hepatites B e C desde 2013, consolidando uma das maiores estruturas de rastreamento dessas doenças no mundo. A análise, baseada em dados do Ministério da Saúde, reforça o papel estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS) para que o Brasil alcance a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

No período, foram realizados cerca de 84,8 milhões de testes para hepatite B e 113,1 milhões para hepatite C, além de mais de 11 milhões de exames entre janeiro e maio de 2026, totalizando 209,2 milhões de testes rápidos na Atenção Primária. O crescimento acompanha a ampliação das políticas públicas de rastreamento e a incorporação dos testes rápidos à rotina dos serviços de saúde.

“Mais de 200 milhões de testes rápidos realizados em pouco mais de uma década mostram que a Atenção Primária brasileira já opera uma das maiores estruturas de rastreamento de hepatites do mundo. O próximo desafio é transformar essa capacidade de detectar precocemente em acesso ao cuidado”, afirma Pedro Marton Pereira, presidente e fundador do Instituto epHealth.

Da testagem ao cuidado

Embora a capacidade de testagem tenha avançado de forma consistente, o levantamento mostra que o próximo passo é ir além da ampliação do acesso aos exames. O volume de atendimentos relacionados às hepatites crônicas na Atenção Primária apresenta magnitude semelhante à registrada pelo SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), cuja notificação de hepatites virais é compulsória desde 2017, conforme determinação do Ministério da Saúde.

Na comparação entre 2022 e 2023, o SINAN registrou 30.599 e 33.202 notificações, respectivamente, enquanto a APS contabilizou 31.936 e 37.227 atendimentos. No entanto, a análise em nível municipal revela disparidades significativas entre as regiões, indicando a necessidade de fortalecer a vinculação dos pacientes ao cuidado após o diagnóstico, além de apontar possíveis áreas de subnotificação no país.

Um exemplo dessa lacuna aparece na análise territorial: o oeste de Santa Catarina apresenta concentração de atendimentos relacionados à hepatite B crônica superior à média nacional, a qual não se reflete nas notificações compulsórias. Segundo o especialista, trata-se de uma hipótese epidemiológica preliminar, que deverá ser investigada por estudos específicos e validada por dados de vigilância epidemiológica, mas que ilustra o potencial da Atenção Primária para identificar padrões territoriais relevantes à saúde pública.

“Utilizando os dados que já são produzidos pelo SUS é possível identificar prioridades territoriais, fortalecer a vinculação dos pacientes e apoiar decisões mais precisas na gestão da saúde. A saúde digital amplia a capacidade de transformar informações dispersas em evidências para direcionar recursos e organizar o cuidado de forma mais eficiente”, destaca Marton Pereira.

As análises também mostram diferenças entre estados e regiões tanto na oferta de testagem quanto no acompanhamento dos pacientes. A leitura territorial desses indicadores pode contribuir para direcionar estratégias locais de prevenção, diagnóstico e tratamento, fortalecendo a equidade no acesso aos serviços de saúde.

Dados regionais revelam diferenças na vinculação ao cuidado

Além das diferenças na testagem, a análise territorial revela variações na vinculação dos pacientes ao cuidado após o diagnóstico. Em 2025, a região Sul registrou 14,49 atendimentos de hepatite B crônica por 100 mil habitantes, enquanto o Sudeste apresentou 1,92 — uma diferença de 7,5 vezes. Para hepatite C, o Sul contabilizou 10,60 atendimentos por 100 mil habitantes, contra 1,32 no Nordeste, uma diferença de oito vezes.

De acordo com o Instituto epHealth, esses resultados não significam, necessariamente, maior incidência da doença em determinadas regiões. Eles podem refletir diferenças na capacidade dos serviços de saúde de identificar, acompanhar e manter os pacientes em tratamento após o diagnóstico, além de variações no perfil epidemiológico e na organização da rede de atenção.

No recorte regional, as altas taxas de atendimento na Atenção Primária na Região Amazônica, especialmente no Acre e em Rondônia, estão em linha com os dados do SINAN e com a literatura epidemiológica. O resultado reforça a consistência desse indicador da APS para o monitoramento das hepatites crônicas nessas localidades. “Olhar para cada região de forma individualizada é fundamental para reduzir desigualdades no acesso ao cuidado”, afirma o especialista.

Entre os estados, o Acre registra a maior taxa de acompanhamento de pacientes com hepatite B crônica: 58,11 atendimentos por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina (25,17) e Rio Grande do Sul (16,59). Na hepatite C, o destaque é o Rio Grande do Sul, com 22,08 atendimentos por 100 mil habitantes, bem acima da média nacional de 3,6 atendimentos.

Com Informações do Site Medicina SA

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