Banco mantém projeção de crescimento de 2% para 2026, mas avalia que a atividade começa a desacelerar, enquanto a inflação surpreende positivamente e abre espaço para um cenário mais favorável nos próximos meses
O BTG Pactual manteve a projeção de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mas avalia que a economia já começou a perder tração após um primeiro semestre mais aquecido. Segundo o relatório Macro View, divulgado na terça-feira (4), a atividade deve desacelerar ao longo dos próximos trimestres, refletindo os efeitos da política monetária restritiva, do enfraquecimento do crédito e da perda gradual de fôlego do consumo das famílias. Para 2027, a estimativa de expansão é de apenas 1,1%, com viés de baixa.
Na avaliação do banco, o principal contraponto ao crescimento mais moderado é a melhora do cenário inflacionário. As últimas divulgações do IPCA e do IPCA-15 vieram abaixo das expectativas, com desaceleração dos núcleos de inflação e dos preços de serviços. O BTG destaca que alimentos e combustíveis devem continuar contribuindo para esse movimento nos próximos meses, favorecidos pela queda dos custos de transporte, pela sazonalidade mais positiva para produtos in natura, pelo aumento da oferta doméstica de carnes e pelo recuo superior a 30% nos preços do etanol, que tende a reduzir também o valor da gasolina nas bombas. A projeção para o IPCA foi mantida em 5% neste ano e 4,4% em 2027.
O relatório também aponta que o mercado de trabalho segue resiliente, embora já apresente sinais de acomodação. A expectativa é de menor geração de vagas e desaceleração do crescimento dos salários, fatores que devem reduzir a pressão sobre os preços de serviços. Ao mesmo tempo, o banco observa que os bens industriais começam a mostrar alívio após meses de forte pressão, impulsionados pela queda dos preços internacionais do petróleo, embora ainda permaneçam acima do nível considerado compatível com a meta de inflação.
Entre os riscos para os próximos anos, o BTG destaca o elevado comprometimento da renda das famílias, a desaceleração do crédito e a retirada gradual dos estímulos fiscais como fatores que tendem a limitar o consumo. Além disso, alerta para riscos climáticos, como um possível fenômeno El Niño mais intenso em 2027, que pode pressionar novamente os preços dos alimentos.
Na visão do banco, o cenário desenha uma economia que começa a crescer em ritmo mais próximo do seu potencial, mas com inflação em trajetória mais favorável do que a observada no início do ano.
Fonte: Money Report