O espetáculo KAIALA, primeiro solo do ator, comunicador e humorista Sulivã Bispo, completa dez anos de trajetória com o projeto KAIALA nos Terreiros, que promove apresentações gratuitas em casas de Candomblé da Bahia. A iniciativa conta com apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur).
A primeira apresentação ocorreu em 14 de agosto de 2026, durante a celebração dos 190 anos do Terreiro Ilê Axé Oxumarê, na Federação, em Salvador. A programação continua no próximo domingo (30/08/2026), às 16h, no Ilê Axé Opô Ajagunã, em Lauro de Freitas.
Ao todo, o projeto prevê seis apresentações gratuitas. Além da estreia e das cinco sessões programadas para os próximos dias, o espetáculo passará por terreiros de Salvador, Lauro de Freitas, Santo Amaro e Ilha de Itaparica, com programação prevista até 19 de setembro.
Espetáculo aborda intolerância religiosa e ancestralidade
Inspirado em fatos reais, com elementos ficcionais, KAIALA apresenta a história de uma menina de 10 anos, iniciada no Candomblé de Nação Angola, assassinada em um terreiro em um episódio de intolerância religiosa.
Sulivã Bispo interpreta três personagens na montagem: um irmão de santo, a avó e ialorixá da menina e uma mulher evangélica. A partir dessas perspectivas, a narrativa aborda questões relacionadas à fé, ao preconceito, à ancestralidade e à resistência.
A construção cênica incorpora toques percussivos, violino, canto, contos sagrados e referências da cultura popular, articulados à linguagem do humor utilizada pelo artista. O espetáculo também propõe reflexões sobre liberdade religiosa, racismo religioso, cultura negra e representatividade artística.
Projeto aproxima teatro e comunidades de matriz africana
A realização de KAIALA nos Terreiros leva a montagem para espaços diretamente relacionados ao universo cultural e simbólico que integra a obra. A proposta estabelece uma relação entre teatro, performance negra, ancestralidade e comunidades de matriz africana.
O projeto também utiliza as apresentações como espaços de encontro e diálogo com os territórios. A iniciativa busca ampliar o acesso ao teatro por meio de sessões gratuitas realizadas dentro dos próprios terreiros.
Segundo a proposta apresentada, a circulação marca um movimento de aproximação entre a produção artística e as comunidades de Candomblé, além de colocar em discussão temas relacionados à liberdade religiosa e ao enfrentamento do racismo religioso.
KAIALA completa uma década de circulação
Ao longo de dez anos, KAIALA passou por diferentes espaços de apresentação e chegou ao palco principal do Teatro Castro Alves, em Salvador. A montagem consolidou a trajetória de Sulivã Bispo no teatro a partir de uma narrativa vinculada à cultura afro-brasileira.
Com a circulação pelos terreiros, a comemoração de uma década da obra ocorre em espaços associados às referências culturais presentes no espetáculo. A programação também amplia o alcance territorial da montagem na Bahia.
A iniciativa reúne, portanto, arte, memória, ancestralidade e debate sobre intolerância religiosa, tendo os terreiros de Candomblé como locais de apresentação e encontro com o público.
Confira as próximas apresentações
As cinco sessões que ainda integram a programação de KAIALA nos Terreiros estão distribuídas entre 30 de agosto e 19 de setembro de 2026:
- 30/08/2026 – 16h: Ilê Axé Opô Ajagunã — Lauro de Freitas;
- 04/09/2026 – 19h: Ilê Axé Ojú Onirê — Santo Amaro;
- 05/09/2026 – 16h: Terreiro Tuntun Olokutun — Ilha de Itaparica;
- 11/09/2026 – 19h: Terreiro São Jorge Filho da Goméia — Lauro de Freitas;
- 19/09/2026 – 19h: Ilê Axé Kalé Bokum — Salvador.
A programação completa do projeto totaliza seis apresentações gratuitas, considerando a sessão realizada em 14 de agosto no Ilê Axé Oxumarê. A iniciativa é apoiada pelo IPAC e pela Setur e integra as ações de celebração dos dez anos de KAIALA.

Fonte: Jornal Grande Bahia