Ministério da Saúde amplia núcleo dedicado à saúde mental dos trabalhadores

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O Ministério da Saúde iniciou uma nova etapa de estruturação do Núcleo de Acolhimento à Trabalhadora e ao Trabalhador (NATT), criado para oferecer escuta, orientação e encaminhamento a profissionais diante de situações que afetam sua saúde, seu bem-estar ou suas relações de trabalho.

O projeto é conduzido por Renata Rivetti, pesquisadora da felicidade e do comportamento humano na vida contemporânea, no âmbito da cooperação entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

A reformulação foi precedida por um diagnóstico sobre saúde mental, bem-estar, clima organizacional e segurança psicológica. A partir dos resultados, o trabalho passou a se concentrar na definição do papel do NATT, de seus pilares de atuação e das medidas necessárias para ampliar o alcance do serviço.

A análise tomou como base a Pesquisa de Comunicação Interna do Ministério da Saúde. Os dados mostram que 79,6% dos respondentes avaliam positivamente sua experiência profissional e 84,6% afirmam se identificar com suas tarefas e reconhecer propósito no trabalho.

Os resultados também revelaram sinais de atenção, como ansiedade, alterações do sono e avaliações regulares ou negativas da própria saúde mental. Sobrecarga, burocracia, retrabalho e falta de clareza aparecem entre as dificuldades relatadas.

“Encontramos uma instituição com forte sentido de propósito e relações positivas, mas também com sinais de desgaste e barreiras de acesso ao cuidado. O trabalho agora é apoiar a expansão do NATT, identificar onde é necessário prevenir, quem precisa ser acolhido e o que pode ser revisto nas próprias condições de trabalho”, afirma Renata.

Segundo ela, a construção de uma cultura de bem-estar também dependerá da capacitação das lideranças e da criação de práticas capazes de sustentar essa cultura no cotidiano.

Quatro frentes de atuação

A nova estrutura organiza o trabalho do NATT em quatro eixos: prevenção, acolhimento, monitoramento e promoção do bem-estar.

Na frente de prevenção, o objetivo é identificar riscos antes que os problemas se agravem, com atenção a fatores como sobrecarga, assédio e maior vulnerabilidade de determinadas áreas ou equipes.

Renata Rivetti

O acolhimento mantém a função original do Núcleo: escutar, orientar, encaminhar e acompanhar os trabalhadores que procuram apoio. O atendimento pode ser realizado presencialmente ou de forma on-line, com encaminhamento para a rede de proteção ou para outros serviços institucionais, quando necessário.

Desde outubro de 2025, o NATT vem ampliando seus canais de acesso, espaços de atendimento e ações preventivas. Entre janeiro e abril de 2026, foram registrados 139 acolhimentos.

O terceiro eixo, de monitoramento, prevê a análise das demandas recorrentes e de indicadores relacionados ao ambiente de trabalho. As informações serão observadas de maneira agregada e confidencial, com o objetivo de reconhecer padrões e apoiar a definição de prioridades.

Já a frente de promoção do bem-estar deverá transformar os aprendizados obtidos nos demais eixos em ações de formação, comunicação e práticas para o cotidiano. Estão previstas iniciativas como capacitação de lideranças, formação de embaixadores e atividades educativas sobre saúde mental, relações de trabalho e prevenção da sobrecarga.

A proposta é combinar o atendimento individual com uma análise mais ampla das condições nas quais o trabalho é realizado. Com isso, o Núcleo pretende não apenas acolher profissionais em sofrimento, mas também identificar fatores organizacionais que possam contribuir para o adoecimento.

Formação de lideranças e equipes

O projeto ganhou visibilidade durante dois dias de encontros realizados em Brasília, como parte da programação do Setembro Amarelo. Renata conduziu conversas sobre felicidade, saúde mental e bem-estar no trabalho. O médico Drauzio Varella também participou da programação, na qual compartilhou sua trajetória e falou sobre a importância do Sistema Único de Saúde para a população brasileira.

Os encontros marcaram o início de uma etapa voltada à aproximação entre o cuidado com as pessoas e a análise das condições reais de trabalho.

Nos próximos meses, Renata continuará apoiando o Ministério da Saúde na formação da equipe multidisciplinar do NATT, na capacitação de lideranças e embaixadores e no acompanhamento das ações previstas.

A estratégia inclui preparar profissionais para reconhecer sinais de sofrimento, conduzir conversas de cuidado e orientar a busca por apoio, sem que essa atuação substitua o atendimento especializado.

Outro desafio será tornar o NATT mais conhecido e acessível entre os trabalhadores. A intenção é que a saúde mental deixe de ser tratada apenas durante campanhas como o Setembro Amarelo e passe a integrar permanentemente os serviços, a atuação das lideranças e as decisões sobre processos, relações e condições de trabalho.

Com a continuidade do projeto, a expectativa é que os dados e aprendizados produzidos pelo Núcleo orientem novas ações de prevenção, acolhimento e promoção do bem-estar no Ministério da Saúde.

Com Informações do Site Medicina SA

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