A bandeira que se move: O avanço do bolsonarismo e a mudança de sinais nas eleições de 2026

Alexandre Gusmão Brasil cidades Ipirá política

Por Alexandre Gusmão

Muita gente do sul e sudeste falando que nas urnas poucas pessoas não foram votar com a camisa do Brasil. Aqui em Ipirá, interior da Bahia e de boa maioria de votos no PT, fiquei com a impressão que aumentou as pessoas vestidas com as cores da bandeira. Lá pelo sul/sudeste, não usar mais a camisa na hora do voto me faz entender que o bolsonarismo se conformou como uma força política na paisagem eleitoral brasileira principalmente onde ele é plenamente hegemônico.

Nesses locais, não é mais algo que reage, mas que se faz presente. Poucos andavam com verde e amarelo quando a direita brasileira se organizava no PSDB porque esse era o partido estrutural da direita até 2014. Vestir verde e amarelo foi o indicativo da mudança de abrigo da direita brasileira, para o projeto bolsonarista de contornos fascistas. Porém, esse projeto já se tornou hegemônico, faltando o nordeste para ele se tornar pleno.

O aumento de camisas da CBF no processo eleitoral da minha cidade significa que, aos poucos, esse processo tá se energizando aonde a centro-esquerda ainda é hegemônica. E o triste é perceber que se não fosse as máquinas municipais, sobretudo de prefeituras de centro, em muitos locais o PT não teria esse tanto de voto.

Em Ipirá, por exemplo, Lula perdeu 7% de votos, mostrando a reação do bolsonarismo nos eleitores de verde e amarelo e com adesivos de Flávio Bolsonaro no carro. Além disso, a gente pode dizer que no discurso eles não tão perdendo tanto assim. Tem muita gente votando no PT no nordeste, mas alimentando o discurso vazio do “empreendedor financista” ou de descrédito da política que só favorece a extrema-direita brasileira.

Isso porque a extrema-direita tá fazendo “política” todo dia, sorrateiramente, sobretudo nas redes que estruturalmente são favoráveis ao bolsonarismo. Já tem tempo que o Brasil segue uma estrada perigosa. As eleições de 2026 aceleraram o ritmo dessa viagem macabra.

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