Taxação mínima de super-ricos salvariam milhões de vidas até 2030

saúde

Pesquisa internacional mostra como evitar pelo menos 6 milhões de mortes com a taxação de apenas 10 mil pessoas. Estudo analisa dados de duas décadas em países de média e baixa renda

Um estudo retrospectivo realizado por um conjunto de pesquisadores relacionou dados de mortalidade em países de média e baixa renda com ajudas humanitárias em saúde, entre os anos de 2002 e 2021. O artigo foi publicado na Lancet e contou com a participação de pesquisadores brasileiros, em um grupo com catalães e moçambicanos de universidades destes locais.

Os países observados são aqueles que integraram convênios de apoio financeiro para políticas de saúde, na maioria das vezes feitos por estados nacionais. Com a retirada recente de tais apoios, o estudo teoriza que um pequeno aumento da tributação dos super-ricos poderia evitar de 7,4 milhões a 7,9 milhões de mortes até 2030.

O estudo separou os chamados super-ricos entre 3.028 bilionários dos cerca de 92 mil cento-milionários, isto é, proprietários de fortunas de pelo menos 100 milhões de dólares. O ponto de partida para a análise de dados do período citado é o corte de políticas humanitárias dos países mais ricos, em especial dos EUA de Donald Trump a partir de 2025.

A metodologia usou cálculos regressivos e levou em conta que tais políticas reduziram em 24% as mortes por todas as causas na população e em 33% das crianças de até 5 anos nos 20 anos observados. Ao usar tal modelo estatístico, em projeção de futuro, o estudo conclui que uma tributação que variasse entre 1 e 3% pode evitar pelo menos 6,5 milhões de mortes até 2030, dentro do mesmo grupo de países e com taxação de 3% dos 10.000 mais ricos.

Caso os bilionários sofressem taxação de 3%, até 29 milhões de vidas podem vir a ser poupadas. O cálculo projeta uma curva de cortes de financiamento de acordo com o nível atual. Como destaca o estudo, há cerca de 800 milhões de pessoas em situação de miséria extrema e 3,5 bilhões em condições de pobreza, de acordo com os critérios historicamente aplicados por organismos internacionais.

Fonte: Outra Saúde / Foto: Frente Povo Sem Medo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *