Em tempos de transformação digital acelerada, a internet deixou de ser apenas um serviço complementar para se tornar uma verdadeira infraestrutura essencial — tão indispensável quanto energia elétrica ou abastecimento de água. No entanto, ao contrário desses serviços tradicionais, sua importância ainda é frequentemente subestimada por muitos usuários, especialmente no contexto do comércio local e, de forma ainda mais crítica, no setor público.
A realidade é simples: hoje, praticamente tudo depende direta ou indiretamente da internet.
Pense em uma padaria de bairro. O cliente chega, faz o pedido e paga com cartão. Essa transação depende de conexão. Se a internet cai, o pagamento trava, gera fila, constrangimento e, muitas vezes, perda de venda. Agora amplie esse cenário para supermercados, farmácias, lojas de roupas, postos de combustível — todos dependem de sistemas conectados para operar.
Os sistemas de gestão (ERPs), controle de estoque, emissão de notas fiscais eletrônicas e até o simples uso de maquininhas exigem conexão estável. Sem internet, o comerciante perde o controle do negócio em tempo real, não consegue emitir documentos fiscais e, em muitos casos, é obrigado a interromper suas atividades.
O comportamento do consumidor também mudou. Antes de sair de casa, ele pesquisa preços, avalia empresas, consulta redes sociais e entra em contato com o estabelecimento. Se o comércio local não está conectado, ele simplesmente deixa de existir para uma parcela crescente de clientes.
Além disso, o marketing hoje é digital. Promoções, campanhas e relacionamento com clientes acontecem em tempo real. Um atraso na resposta pode representar uma venda perdida — e isso depende diretamente da qualidade da conexão. Ou seja, a internet não é apenas uma ferramenta — é a engrenagem que mantém o comércio girando.
Mas essa engrenagem vai além do setor privado. Ela sustenta também o funcionamento do setor público.
Prefeituras, hospitais, escolas, repartições e órgãos de segurança dependem diretamente da internet para funcionar com eficiência. Na prática, o impacto é profundo.
Na saúde pública, por exemplo, sistemas de prontuário eletrônico permitem que médicos acessem o histórico do paciente em segundos. Agendamentos de consultas, exames e regulação de vagas são feitos de forma online.
Sem internet, o atendimento se torna mais lento, desorganizado e, em muitos casos, arriscado.
Na educação, a internet conecta alunos e professores a conteúdos, plataformas de ensino, registros acadêmicos e comunicação institucional. Mesmo em aulas presenciais, a conectividade já faz parte da rotina pedagógica. Uma escola sem internet hoje está, de certa forma, desconectada do mundo.
Na administração pública, processos que antes eram burocráticos e demorados agora são digitais: emissão de documentos, protocolos, licitações, transparência de dados e comunicação com o cidadão. Sem conexão, serviços param, prazos atrasam e a população é diretamente prejudicada.
Na segurança, sistemas de monitoramento, comunicação entre equipes e acesso a bancos de dados dependem de conexão em tempo real. Uma falha de internet pode comprometer operações inteiras.
E há ainda um ponto crucial: a internet é uma ferramenta de cidadania. É por meio dela que o cidadão acessa serviços, acompanha ações do governo, faz denúncias, solicita atendimentos e exerce seus direitos com mais agilidade e transparência.
Apesar de tudo isso, a internet ainda é frequentemente tratada como custo — e não como investimento.
No comércio, muitas vezes se busca apenas o menor preço, ignorando qualidade e estabilidade. No setor público, isso pode se refletir em contratações que não priorizam desempenho e continuidade, comprometendo serviços essenciais.
Alonso Oliveira Neto
CEO da ágilfibra
Administrador de Empresas
@alonsooliveira