O agronegócio baiano está intensificando as discussões e ações voltadas para a sustentabilidade, de olho na COP 31, a conferência mundial do clima que será realizada em Antália, na Turquia. No Oeste da Bahia, entidades como a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) lideram iniciativas que buscam conciliar a alta produtividade com a conservação dos recursos naturais, preparando o setor para atender às crescentes exigências de preservação impostas pelo mercado internacional.
Ações de conservação no Oeste da Bahia
Um balanço recente da associação aponta resultados expressivos na região, incluindo a recuperação de 170 nascentes, a instalação de 48 estações de monitoramento hídrico e a recuperação de 10 mil hectares de solo degradado. Além disso, foram plantadas 35 mil mudas de espécies nativas do Cerrado.
Segundo especialistas, o desafio atual dos produtores é investir em rastreabilidade e gestão tecnológica para comprovar esses resultados ambientais de forma transparente. Essa transferência de tecnologia, que já começa a alcançar pequenos e médios produtores, é considerada fundamental para garantir a segurança jurídica e a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
Renegociação de dívidas e logística de armazenagem
O cenário nacional do agronegócio também enfrenta gargalos financeiros e estruturais. No Congresso Nacional, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças em uma Medida Provisória para facilitar a renegociação de dívidas rurais. A taxa de inadimplência no setor alcançou quase 10% em setembro, o maior índice da série histórica, e apenas 14% dos produtores endividados conseguiram acessar os recursos de parcelamento até o momento.
Simultaneamente, o setor lida com o déficit na capacidade de armazenagem das safras recordes de grãos. Como alternativa à falta de silos tradicionais, produtores têm recorrido à instalação de galpões flexíveis infláveis, que permitem uma montagem rápida — de cinco a sete dias para estruturas de 3.000 m² — e ampliam significativamente a capacidade de estocagem nas propriedades.
Impacto na cesta básica e produção florestal
O programa também abordou o reflexo dos custos no bolso do consumidor. Em Salvador, a cesta básica custou R$ 634,67 no mês de setembro. O valor foi pressionado principalmente pela alta de 23% no preço do tomate, além de elevações no óleo de soja (2,56%) e no arroz (0,37%). Por outro lado, feijão carioca e banana registraram quedas de 8% e 6%, respectivamente, oferecendo opções mais acessíveis.
No interior do estado, o município de Pedrão sediou a quarta edição de um seminário focado na produção florestal. O encontro debateu a ampliação da participação de pequenos e médios produtores na cadeia de base florestal e promoveu o plantio simbólico de mudas para a criação da futura Praça dos Eucaliptos, integrando a comunidade às práticas de arborização urbana.
Fonte: Band Bahia