Glofitamabe demonstrou reduzir em 41% o risco de morte e 50,3% dos pacientes que receberam o novo esquema alcançaram a remissão completa da doença
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Columvi (glofitamabe), indicado para o tratamento de pacientes adultos com um tipo agressivo de câncer no sangue.
O Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB) recidivado ou refratário representa cerca de 1 a cada 3 casos entre os linfomas não Hodgkin1, sendo o subtipo mais comum. A estimativa é de que cerca de 4 mil pessoas recebam o diagnóstico da doença por ano no Brasil.
A aprovação beneficia pessoas que já passaram pela primeira linha de tratamento, e que não são candidatas ao transplante autólogo de células-tronco, além de pacientes que estão na terceira linha ou em etapas mais avançadas da doença.
O glofitamabe pertence a uma classe terapêutica conhecida como anticorpos biespecíficos. “Na prática, o medicamento funciona como uma estrutura de conexão entre as células de defesa e as células doentes. Uma extremidade se liga à célula tumoral e a outra se fixa à célula T (a célula de defesa do próprio corpo)”, explica Renato Tavares, hematologista e Membro da Diretoria da ABHH – Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e Terapia Celular.Play Video
De acordo com os resultados do estudo clínico global de Fase III, STARGLO, o uso do medicamento em combinação com a quimioterapia, causa uma redução de 41% no risco de morte em comparação ao protocolo tradicional.
O mesmo estudo apontou ainda que 50,3% dos participantes que receberam o novo esquema alcançaram a remissão completa da doença (contra 22% do grupo comparativo). Houve também uma redução de 63% no risco de progressão.
“Hoje, no Brasil, para o paciente recidivado e refratário o potencial curativo só é uma realidade por meio de terapias celulares avançadas, como a terapia CAR-T, de difícil acesso. Com essa aprovação, uma grande quantidade de pessoas neste cenário passará a contar com este tratamento, que pode ser iniciado poucos dias após a recomendação médica, o que é essencial diante da agressividade da doença, que rapidamente progride”, afirma o especialista.
Com duração fixa de aproximadamente 8,3 meses, a terapia tem aplicação por infusão intravenosa e pode ser administrada em ambiente ambulatorial, sem necessidade de internação.
*Sob supervisão de AR.
Fonte: CNN Brasil / Foto: Freepik