- Cadu Fonseca, Matheus Henrique e Murilo Borges, de Houston (EUA) Segunda, 29 de junho de 2026
História, camisa, tradição. Nada disso importa em um futebol moderno que privilegia mais coisas do que estrelas bordadas no peito de um passado que não volta. Se por um acaso já não soubesse disso, e deveria saber, o Brasil sai de Houston com novas lições aprendidas dentro desta Copa do Mundo.
Contra um Japão rigidamente organizado e consciente do que precisava fazer, a Seleção sofreu. Saiu atrás em um contra-ataque evitável, reagiu logo após o intervalo com Casemiro e só foi encontrar a vitória por 2 a 1 com Martinelli, aos 50 minutos do segundo tempo.
Agora, Carlo Ancelotti e companhia ganham uma sobrevida na Copa e se garantem nas oitavas de final – que será no próximo domingo (5), em Nova Jersey. O próximo rival sai nesta terça-feira (30), do confronto entre Costa do Marfim e Noruega, que se enfrentam em Dallas.
Mais do que o próximo oponente, o Brasil precisa é levar lições na mala para Nova Jersey. A eliminação passou perto de acontecer, algo inédito para um time asiático – também faria ser a pior classificação da Seleção na história das Copas (no máximo o 17º lugar contra o 14º posto de 1934, na Itália). Restam alguns dias para demonstrar que o susto ficou no passado. Bem como o histórico. Mais do que tradição, o Brasil precisa é ter presente.
Japão expõe fraquezas e controla Brasil
Mesmo com toda a atmosfera positiva do estádio, pintado de verde e amarelo contra as poucas camisas azuis e brancas, o Brasil demonstrou todo o nervosismo de disputar um jogo eliminatório de Copa. Bem diferente do time que atuou contra a Escócia, foi impreciso, ansioso e travado.
Pouco foi criado no ataque. Um chute de Matheus Cunha de canhota, defendido pelo goleiro Suzuki (elogiado por Ancelotti na entrevista de véspera), uma tentativa de triangulação pela esquerda e só. Com Vinicius Jr. encaixotado entre as linhas japonesas, praticamente não houve oportunidade de fazer nada ofensivamente.
Confortável, a seleção asiática só esperava uma brecha para incomodar Alisson, o que aconteceu aos 29 minutos. Danilo errou passe bobo no meio-campo e permitiu o contra-ataque, que caiu nos pés de Kaishu Sano. Ele avançou e, de direita, bateu no canto para deixar perplexo o estádio. Euforia japonesa, incredulidade brasileira nas arquibancadas.
Tudo que havia de tentativa de melhorar no Brasil ruiu após o gol. Na reta final do primeiro tempo, a Seleção foi um deserto de ideias e ainda mais estresse, que só aumentava a cada erro individual e reclamação da torcida. Era preciso muito, mas muito mais para ter qualquer chance de volta por cima no segundo tempo.
Endrick energiza Seleção, Martinelli decide
O Brasil voltou outro. Completamente. Lucas Paquetá, um dos piores em campo, sequer voltou do vestiário. Era a hora de Endrick tentar oferecer à Seleção algo que faltou tanto quanto futebol: postura e vibração.
O garoto carregou a torcida para dentro do campo. Em duas arrancadas, mexeu com a atmosfera de um estádio que assistia calado à derrocada brasileira. A partir daí, chances passaram a ser criadas. O peixinho de Casemiro parou em cima da linha aos nove minutos. Aos 11, não teve jeito. Testada firme do camisa 5 após cruzamento de manual vindo do lado esquerdo do ataque de Gabriel Magalhães.
Era outra Seleção, que por um triz não ampliou o placar no lance seguinte. Vinicius carregou a bola desde o meio-campo, deu caneta e deixou o marcador torto para bater de biquinho. A bola pegou na trave, em um sinal do que estava por vir caso o Brasil mantivesse o nível de atuação e de energia.
Não foi o que aconteceu. Depois do esforço para empatar, o time diminuiu o ímpeto e não forçou o Japão nada além de proteger a entrada da área. Finalizações? Nenhuma, a não ser cruzamentos indo de um lado para o outro. Faltava um passe mais qualificado.
Ele demorou, mas veio dos pés do maior assistente da Seleção na Copa. Bruno Guimarães recebeu cercado na entrada da área e enxergou Martinelli. O atacante do Arsenal, que saiu do banco para decidir, dominou e já emendou o chute no canto. Passaporte carimbado.
Próximo jogo do Brasil:
- Costa do Marfim ou Noruega – 05/07, 18h (de Brasília) – Copa do Mundo
Fonte: ESPN Brasil / Casemiro comemora com Neymar o gol do Brasil contra o Japão Lars Baron/Getty Images
