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Clinton, Trump e príncipe Andrew aparecem em lista de pessoas ligadas a Jeffrey Epstein; entenda

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Os ex-presidentes dos EUA Bill Clinton e Donald Trump, assim como o príncipe Andrew, do Reino Unido, são algumas das figuras de destaque cujos nomes aparecem em uma lista de pessoas ligadas ao bilionário americano Jeffrey Epstein, encontrado morto na prisão em 2019 após ser acusado de exploração sexual de menores.

Os documentos judiciais vieram a público por determinação de uma juíza de Nova York, que retirou o segredo de justiça de um processo movido contra a socialite britânica Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein.

Maxwell e Epstein são acusados de comandar uma rede de tráfico sexual de menores. Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão e permanece presa em um presídio federal dos Estados Unidos.

Outros nomes que aparecem no documento são os do cantor Michael Jackson e do mágico David Copperfield, embora nenhum crime específico deles seja mencionado.

O príncipe Andrew, filho da falecida rainha Elizabeth 2ª e irmão do rei Charles 3º, é acusado de apalpar uma mulher. Ele nega a alegação.

Há mais de 100 pessoas na lista, algumas delas aparecem na condição de potenciais testemunhas.

Os documentos judiciais revelam o círculo social que orbitava ao redor de Epstein, que se declarou culpado de solicitação de prostituição a uma menor de idade em 2009.

No entanto, por ora, os documentos divulgados não contêm nenhuma nova revelação bombástica sobre Epstein.

Os documentos — que têm mais de 900 páginas — foram divulgados na quarta-feira (3/1), após uma ordem da juíza de Nova York Loretta Preska. Ela declarou que muitos dos citados já haviam sido identificados pela imprensa ou no próprio julgamento de Maxwell.

Preska disse que muitos outros indivíduos citados não levantaram objeções à divulgação dos documentos.

A magistrada também ordenou que alguns nomes permanecessem sob sigilo porque identificariam as vítimas de abuso sexual.

No entanto, mais documentos do caso deverão ser divulgados nos próximos dias.

Príncipe Andrew nega acusação

Os documentos recém-divulgados incluem referências a Johanna Sjoberg.

Ela afirmou que o príncipe Andrew apalpou seu seio enquanto estava sentado em um sofá no apartamento de Epstein em Manhattan, nos EUA, em 2001.

O Palácio de Buckingham já havia afirmado que as acusações são “categoricamente falsas”.

Em depoimento já divulgado anteriormente, Sjoberg alegou que o príncipe Andrew colocou a mão em seu seio ao posar para uma foto com outra acusadora, Virginia Giuffre, e um fantoche com os dizeres “Príncipe Andrew”.

Em 2022, a realeza britânica pagou milhões a Giuffre para encerrar um processo movido por Giuffre. Ela acusou Andrew de abuso sexual quando ela tinha 17 anos.

O príncipe disse que nunca conheceu Giuffre e negou todas as acusações.

Apesar disso, uma foto que retrata os dois juntos a Maxwell circula amplamente nas redes sociais.

As viagens de Bill Clinton

O ex-presidente dos EUA Bill Clinton, também é citado nos documentos judiciais, embora não exista qualquer ilegalidade ligada a seu nome.

Os representantes do ex-presidente americano disseram que a menção ao nome dele aconteceu devido a uma declaração que ele emitiu em 2019, alegando que “não sabia nada” sobre os crimes de Epstein.

Segundo os documentos judiciais, Sjoberg afirmou que certa vez Epstein lhe disse que Clinton “gosta delas jovens, referindo-se às meninas”.

Clinton teve um caso com uma estagiária da Casa Branca de 22 anos, Monica Lewinsky, enquanto era presidente dos EUA.

Os documentos também incluem depoimentos de Maxwell confirmando que Clinton viajou a bordo do jato particular de Epstein, mas ela não soube precisar quantas vezes isso ocorreu.

Clinton viajou no avião de Epstein no que foi descrito como “viagens humanitárias à África” no início dos anos 2000.

À época, ele elogiou Epstein como um “filantropo empenhado”, embora tenha dito que mais tarde cortou relações com ele.

Em sua declaração de 2019, o ex-presidente americano disse ter sido acompanhado em suas viagens a bordo do jato de Epstein por funcionários e apoiadores de sua instituição de caridade, a Fundação Clinton.

“Os funcionários do Serviço Secreto estavam no mesmo voo, em todos os trechos de cada viagem”, detalha o comunicado divulgado por representantes de Clinton.

Os documentos judiciais incluem um trecho no qual o advogado de Maxwell tenta desmentir uma reportagem segundo a qual, pouco depois de ter deixado o cargo, em janeiro de 2001, Clinton teria viajado para uma ilha privada que pertencia a Epstein.

Um advogado de Maxwell disse que o ex-presidente dos EUA “de fato não viajou nem esteve presente na Ilha Little St James entre 1º de janeiro de 2001 e 1º de janeiro de 2003”.

O advogado acrescentou que, se a afirmação fosse verdadeira, os agentes do Serviço Secreto teriam sido obrigados a apresentar os registros de viagem da época.

Por que Trump é mencionado?

O documento também inclui um depoimento de Sjoberg alegando que Epstein disse a ela que entraria em contato com Donald Trump a caminho de um cassino em Nova Jersey, no ano de 2001.

“Jeffrey disse: ‘Ótimo, vamos ligar para Trump'”, disse ela em juízo, depois que os pilotos afirmaram que seu avião não poderia pousar em Nova York e precisaria parar em Atlantic City, em Nova Jersey.

Os documentos não mencionam nenhuma irregularidade cometida por Trump.

Em determinado momento do depoimento, Sjoberg é questionada se ela alguma vez fez uma massagem em Trump. Ela responde que não.

Quem são alguns dos outros citados?

Michael Jackson e David Copperfield: Sjoberg disse que conheceu o cantor e o mágico por meio de Epstein, embora não tenha feito acusações contra nenhum deles.

Jean-Luc Brunel: O agente de modelos francês que se suicidou numa prisão de Paris em 2022 enquanto aguardava acusações de estupro também é mencionado várias vezes.

Em seu depoimento, Giuffre diz que foi forçada a fazer sexo com figuras proeminentes, incluindo o governador do Novo México, Bill Richardson.

Antes de sua morte, no ano passado, Richardson negou ter conhecido Giuffre e não foi formalmente acusado de nenhum crime.

Alfredo Rodriguez: Encarregado da segurança de Epstein, Alfredo Rodriguez descreveu Maxwell como “a chefe” em seu depoimento, segundo os autos do processo.

Rodriguez, que morreu em 2015, foi instruído a carregar dinheiro o tempo todo para dar às meninas de ensino médio e as que ajudavam no recrutamento para Epstein, dizem os documentos.

Epstein e Maxwell

A morte de Epstein em 2019 foi considerada suicídio pelo médico legista de Nova York.

Maxwell, filha do magnata editorial Robert Maxwell, cumpre atualmente uma pena de 20 anos de prisão por seu papel como recrutadora de Epstein. Seus advogados estão recorrendo da sentença.

Os advogados de Maxwell disseram em um comunicado citado pela emissora americana CNN na quarta-feira (3/1): “Ela manteve sua inocência de forma consistente e veemente”.

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Fonte: BBC