Diagnóstico de doença mental recua entre médicos, mas 41% ainda convivem com a condição

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O cenário de saúde mental dos médicos brasileiros dá sinais de melhora, mas ainda está longe de ser resolvido: 41% dos profissionais relatam ter algum diagnóstico de doença mental no primeiro semestre de 2026, segundo a quarta edição da pesquisa Qualidade de Vida dos Médicos no Brasil, realizada pelo Research & Innovation Center da Afya. O percentual recuou depois de atingir 55% no primeiro semestre de 2025 e 45% no segundo semestre, mas permanece próximo ao nível registrado no início da série, em 2024 (40%). Os dados também mostram que os avanços não ocorrem de forma homogênea entre homens e mulheres.

Já a proporção de médicos com diagnóstico de depressão, em tratamento ou não, oscilou de 25%, no segundo semestre de 2025, para 22% no primeiro semestre de 2026, retornando ao mesmo patamar de 2024. No caso da ansiedade, o indicador passou de 39% para 33% no mesmo período, também voltando ao nível registrado no início da série.

Qualidade de vida ainda está abaixo do início da série

Apesar da melhora nos indicadores de saúde mental, a percepção positiva sobre a própria qualidade de vida ainda não recuperou o patamar registrado em 2024. As respostas “boa” e “muito boa” somaram 44% no primeiro semestre de 2026, mesmo percentual observado na edição anterior, mas abaixo dos 55% registrados no início da série. A estabilização interrompe uma sequência de três edições de queda, mas ainda não representa uma recuperação do indicador.

“Os resultados mostram sinais importantes de recuperação na saúde mental e nos hábitos de autocuidado dos médicos. Acompanhá-los ao longo do tempo nos ajuda a entender melhor o que contribui para a qualidade de vida desses profissionais e onde ainda podemos avançar”, afirma Eduardo Moura, diretor do Research & Innovation Center da Afya.

Atividade física avança e percepção de estresse perde força

Um dos sinais positivos da edição mais recente é a redução do sedentarismo. A parcela de médicos que nunca pratica atividade física regular caiu de 25% para 18% entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026. A prática constante também avançou, passando de 14% para 18% no período. Como essa melhora ocorre simultaneamente ao recuo de alguns indicadores de saúde mental, os dados reforçam a hipótese de uma associação entre hábitos de autocuidado físico e bem-estar emocional, embora a pesquisa não permita estabelecer uma relação de causa e efeito.

Com isso, a percepção de aumento do estresse também perdeu força. A parcela que concorda, total ou parcialmente, que seu nível de estresse está maior do que há 12 meses recuou de 53% para 49% entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026. Ainda assim, o indicador permanece acima dos 47% registrados em 2024.

Médicas relatam pior qualidade de vida e mais diagnósticos de doença mental

O recorte por gênero mostra que a melhora observada nos indicadores gerais é mais evidente entre os médicos do gênero masculino. A proporção que relata algum diagnóstico de doença mental caiu de 37%, no segundo semestre de 2025, para 30% no primeiro semestre de 2026. Entre as médicas, o indicador recuou de 53% para 49% no mesmo período. Ao longo das quatro edições, a proporção de médicas com diagnóstico de doença mental foi consistentemente superior à dos médicos.

A diferença também aparece na percepção sobre qualidade de vida. Entre as médicas, as avaliações “boa” e “muito boa” chegaram a 42% no primeiro semestre de 2026, contra 48% entre os médicos. No início da série, os percentuais eram de 55% e 57%, respectivamente.

O estudo

O estudo contínuo buscou compreender aspectos relacionados à saúde mental, qualidade de vida e hábitos de autocuidado entre profissionais da medicina. As quatro edições foram realizadas de forma on-line, por meio de questionário de autopreenchimento, com médicos de diferentes gêneros, formações, idades e tempos de atuação, em todas as regiões do país. A quarta edição, referente ao primeiro semestre de 2026, ouviu 453 médicos brasileiros entre 4 de fevereiro e 17 de março de 2026, com margem de erro de 5 p.p. e 95% de confiança.

Fonte: Medicina SA / Foto: Canva

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