Espetáculo celebra 20 anos do Oco Teatro Laboratório

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Montagem em cartaz no Teatro Gregório de Matos une instalação artística, ecologia e ancestralidade

O Oco Teatro Laboratório celebra duas décadas de pesquisa, criação e intercâmbio artístico com a temporada do espetáculo-instalação Cavalo de Teatro, em cartaz até o dia 2 de agosto, no Teatro Gregório de Matos, em Salvador.

As apresentações acontecem de quinta a domingo e integram o projeto 20 Anos Oco Teatro Laboratório: Um Cavalo de Teatro, que reúne arte, ecologia, memória e diálogo com os povos originários em uma experiência cênica imersiva.

Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Após a temporada na capital baiana, o espetáculo seguirá em circulação por Camaçari e Lauro de Freitas.

Reconhecido como um dos principais coletivos de pesquisa teatral da Bahia, o Oco Teatro Laboratório construiu, ao longo de 20 anos, uma trajetória voltada à experimentação artística e à formação de público.

O grupo já circulou por países da América Latina, Estados Unidos e Europa, além de desenvolver iniciativas como o Festival Internacional Gestos de América (FIGA), a revista Boca de Cena, as coleções Dramaturgia Latino-Americana e Teoria Teatral Latino-Americana, o Colóquio Internacional de Artes Cênicas da Bahia (CICBahia) e o Núcleo de Laboratórios Teatrais do Nordeste (NORTEA), consolidando-se como referência na articulação entre criação, pesquisa e intercâmbio cultural.

Em Cavalo de Teatro, o público é transportado para um futuro distópico em que a vida foi quase totalmente sufocada pelo plástico. Em um cenário inteiramente branco, três sobreviventes dividem o espaço com a ossada de um cavalo enquanto tentam reconstruir vestígios de um mundo devastado pela exploração desenfreada do petróleo, pelas guerras e pelo colapso ambiental.

A partir de objetos descartados e fragmentos de memória, os personagens reinventam árvores, plantas e paisagens artificiais, criando um universo em que a imaginação surge como forma de resistência diante da destruição. O cavalo, figura central da narrativa, simboliza a memória ancestral, a força da natureza e a possibilidade de reconexão entre a humanidade e o meio ambiente.

Ao final da apresentação, a montagem rompe os limites tradicionais do teatro e transforma-se em uma instalação artística aberta à permanência do público. Os atuadores desaparecem gradualmente na paisagem construída de plástico, convidando os espectadores a ocupar o espaço e ampliar a experiência estética para além da narrativa, em um momento de contemplação e reflexão.

Mais do que denunciar os impactos da poluição causada pelo plástico, o espetáculo propõe refletir sobre novas formas de existência e convivência com o planeta, aproximando arte, ecologia, ancestralidade e futuro.

O projeto 20 Anos Oco Teatro Laboratório: Um Cavalo de Teatro também expande a celebração do grupo para além dos palcos. Inspirado na figura do cavalo como símbolo de deslocamento, potência e transformação, promove ações de descentralização cultural e intercâmbio com comunidades indígenas, reconhecendo os saberes ancestrais como fundamentais para a construção de novas relações entre sociedade e natureza.

Os processos de criação foram alimentados por vivências em aldeias indígenas da Bahia, incorporando práticas de escuta, convivência e construção coletiva que atravessam a dramaturgia e a linguagem do espetáculo. A montagem reafirma, assim, o compromisso do Oco Teatro Laboratório com uma arte voltada ao diálogo com questões contemporâneas e à reflexão sobre os desafios ambientais e sociais.

O projeto foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, executados pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado.

Fonte: Bahia.ba / Foto: Mário Edson/ Divulgação


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