Estudo da Fiocruz destaca eficácia da PrEP injetável contra o HIV

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Por Glauco Faria

Um estudo da Fiocruz, publicado na revista Lancet, traz novas perspectivas para a prevenção do HIV no Brasil. A pesquisa destaca que o cabotegravir, uma PrEP (profilaxia pré-exposição) injetável de longa duração, oferece maior cobertura e menor incidência do vírus em comparação à versão oral, que exige a ingestão diária de comprimidos.

A PrEP injetável, com aplicação a cada dois meses, garante um tempo de proteção estendido, reduzindo o risco de exposição por esquecimento, um dos principais desafios da versão oral. O estudo acompanhou 1.447 usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e revelou que os participantes que optaram pela PrEP injetável mantiveram-se protegidos em 91% do período de acompanhamento, enquanto aqueles que aderiram à PrEP oral alcançaram 47% de proteção. Embora menor, este percentual ainda supera a média de 35% observada na rotina do sistema público.

A diferença na taxa de incidência de HIV entre os grupos foi significativa. Em um cenário hipotético de mil pessoas acompanhadas por um ano, apenas duas novas infecções ocorreriam entre os usuários da PrEP injetável, nove na versão oral e 15 na rotina padrão do SUS.

Cenário da América Latina

Na Lancet, os pesquisadores destacaram a importância do estudo para o contexto latino-americano. “Apesar da queda substancial na incidência do HIV em todo o mundo, estima-se que 1,2 milhão de novas infecções pelo HIV ocorreram em 2025. A América Latina, no entanto, está entre as poucas regiões onde a incidência do HIV continua a aumentar desde 2010, contrastando com as tendências de queda observadas globalmente”, pontuam, destacando que se trata de um cenário ainda mais grave para alguns segmentos da população. 

A pesquisadora principal do estudo, Beatriz Grinsztejn, infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, enfatiza ao jornal Folha de S. Paulo que o resultado não sugere que a PrEP injetável seja inerentemente mais eficaz, mas sim que sua incorporação ao SUS representa um ganho na prevenção, e não uma substituição. “O que sabemos é que empoderar o paciente é a forma mais eficaz de prevenir o HIV, porque ele vai saber qual é a melhor opção para sua dinâmica de vida, oral ou injetável”, explica Grinsztejn. Ela reforça que ambas as prevenções são altamente eficazes, e a “melhor” opção será aquela que o paciente conseguir aderir de forma consistente.

Fonte: Outra Saúde / Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil



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