Às vésperas de completar 193 anos de emancipação político-administrativa, na sexta-feira (18/09/2026), Feira de Santana chega à data histórica com população estimada em 663.408 habitantes, mantendo-se como o 2º município mais populoso da Bahia, o 10º do Nordeste e o 34º entre os 5.571 municípios brasileiros, segundo levantamento da Superintendência Estadual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Bahia. Os dados revelam uma cidade que, desde o século XIX, ampliou de forma contínua seu peso demográfico e regional e que, em 2023, registrou Produto Interno Bruto de R$ 21,846 bilhões, o quarto maior do estado.
IBGE estima população de Feira de Santana em 663,4 mil habitantes
A nova estimativa do IBGE coloca Feira de Santana com 663.408 moradores em 2026. O número representa uma atualização em relação à página Cidades@ do próprio instituto, que atualmente exibe a estimativa de 660.806 habitantes para 2025. Não se trata de divergência estatística: os números correspondem a anos de referência diferentes.
O porte atual resulta de um processo de crescimento urbano que atravessa mais de um século. No primeiro Censo Demográfico brasileiro, em 1872, Feira de Santana já possuía 51.696 habitantes e era o 5º maior município da Bahia em população.
Em 1970, com 187.290 moradores, o município assumiu a segunda posição no estado. A população passou para 291.506 em 1980, 406.447 em 1991 e 480.949 em 2000. Entre 2010 e 2022, houve crescimento de 10,7%, de 556.642 para 616.272 habitantes.
Crescimento demográfico acompanha transformação histórica da cidade
A trajetória populacional ajuda a dimensionar a transformação de um antigo centro ligado à circulação de gado, tropeiros e mercadorias em uma grande aglomeração urbana. Fontes históricas municipais relacionam a formação de Feira de Santana à posição ocupada pelo povoado nas rotas de circulação entre o sertão, o Recôncavo e Cachoeira. Em 18 de setembro de 1833, ocorreu a instalação da estrutura político-administrativa municipal, marco atualmente adotado oficialmente para a celebração da emancipação.
Quase quatro décadas depois, a Lei Provincial nº 1.320, de 16 de junho de 1873, elevou a vila à categoria de cidade, sob a denominação de Comercial Cidade de Feira de Santana. Essa distinção histórica explica por que existem dois marcos importantes na formação institucional feirense: 1833, associado à emancipação e instalação do governo municipal, e 1873, referente à elevação formal da sede à condição de cidade.
A Prefeitura registra oficialmente 18 de setembro como Dia da Cidade. Para 2026, o calendário municipal identifica a sexta-feira (18/09) como data da emancipação político-administrativa e do 193º aniversário, classificada como ponto facultativo, e não como feriado municipal de paralisação geral.
Mulheres são 53,4% da população e Feira tem perfil mais jovem que a Bahia
O Censo 2022 mostra que as mulheres representam 53,4% da população de Feira de Santana, ou 329.253 pessoas. Com essa proporção, o município aparece como o 3º mais feminino da Bahia, atrás apenas de Salvador, com 54,4%, e Itabuna, com 53,5%.
A composição por cor ou raça também evidencia características relevantes da população. Pessoas pardas correspondiam a 53,6%, ou 330.541 moradores; pretas, a 29,2%, equivalente a 180.190 pessoas; brancas, a 16,9%, ou 103.932; indígenas, a 0,2%, ou 1.086; e amarelas, a 0,1%, com 590 habitantes.
O perfil etário é relativamente mais jovem do que o conjunto baiano. Em 2022, Feira tinha 79.288 pessoas com 60 anos ou mais, equivalentes a 12,9% da população, abaixo da participação estadual de 15,2%. Entre os 417 municípios baianos, a cidade ocupava a 379ª posição nesse indicador, ou seja, tinha a 40ª menor proporção de idosos.
Tomba é o bairro mais populoso entre os 50 bairros do município
O levantamento do IBGE registra 50 bairros em Feira de Santana. O Tomba aparece como o mais populoso, com 54.885 habitantes, seguido por Campo Limpo, com 43.175; Conceição, com 39.832; Mangabeira, com 28.350; e Gabriela, com 22.807 moradores.
A distribuição mostra que parcelas expressivas da população estão concentradas fora do núcleo histórico central, realidade que acompanha a expansão territorial da cidade ao longo das últimas décadas. O levantamento disponibilizado, entretanto, não contém indicadores suficientes sobre infraestrutura, renda ou oferta de serviços por bairro; portanto, os números populacionais, isoladamente, não permitem medir desigualdades territoriais ou qualidade dos equipamentos públicos.
PIB chega a R$ 21,846 bilhões e coloca Feira entre as quatro maiores economias da Bahia
O peso demográfico é acompanhado por forte participação econômica. Em 2023, o PIB de Feira de Santana alcançou R$ 21,846 bilhões, o 4º maior entre os municípios baianos. Apenas Salvador, com R$ 76,699 bilhões; Camaçari, com R$ 27,419 bilhões; e São Francisco do Conde, com R$ 26,506 bilhões, apresentaram valores superiores.
A página Cidades@ do IBGE informa PIB per capita de R$ 35.449,37 em 2023, enquanto levantamento publicado pelo Jornal Grande Bahia em maio de 2026 também situou Feira entre as maiores economias municipais do interior nordestino, tendo comércio, serviços e indústria como componentes centrais da estrutura produtiva.
O informe do IBGE apresenta ainda um recorte setorial referente a 2021: de cada R$ 10 gerados na economia local, aproximadamente R$ 6 vinham dos serviços privados, excluída a administração pública. Naquele ano, o valor adicionado pelo segmento foi de R$ 8,6 bilhões. Como o dado setorial corresponde a 2021 e o PIB total citado é de 2023, os dois valores não devem ser comparados mecanicamente como se pertencessem ao mesmo exercício estatístico.
De entreposto comercial a economia urbana baseada em serviços
A participação predominante dos serviços traduz uma mudança estrutural na economia feirense. A própria formação do município esteve historicamente relacionada à atividade pecuária, à circulação de mercadorias e à posição geográfica entre o litoral, o Recôncavo e o sertão. Com a urbanização, comércio, serviços e posteriormente indústria passaram a constituir parcelas cada vez mais relevantes da economia municipal.
Esse processo não significa desaparecimento das relações econômicas com o campo. A centralidade comercial continua conectando Feira de Santana a municípios rurais e centros urbanos de diferentes partes da Bahia, mas a estrutura contemporânea de geração de riqueza é essencialmente urbana.
O valor absoluto do PIB, entretanto, mede o tamanho da economia, e não sua distribuição. O informe utilizado nesta reportagem não apresenta indicadores de renda domiciliar, pobreza, desigualdade, desemprego ou concentração de riqueza atualizados para 2026. Por isso, o elevado PIB municipal não deve ser interpretado automaticamente como evidência de distribuição homogênea da prosperidade entre os habitantes.
Feira polariza região intermediária com 83 municípios
O IBGE identifica Feira de Santana como centro de uma das dez Regiões Geográficas Intermediárias da Bahia, reunindo 83 municípios no Centro-Norte do estado. A classificação expressa a capacidade de polarização exercida pela cidade na oferta de comércio, serviços e funções urbanas de maior complexidade.
É importante distinguir essa divisão estatística da Região Metropolitana de Feira de Santana (RMFS). A Região Geográfica Intermediária é um recorte territorial criado pelo IBGE para análise da rede urbana. A RMFS, por sua vez, resulta de legislação estadual destinada à organização e ao planejamento de funções públicas de interesse comum.
A Lei Complementar Estadual nº 35, de 6 de julho de 2011, instituiu originalmente a RMFS com Feira de Santana, Amélia Rodrigues, Conceição da Feira, Conceição do Jacuípe, São Gonçalo dos Campos e Tanquinho e estabeleceu uma Área de Expansão Metropolitana. Em 2018, a Assembleia Legislativa aprovou alteração dessa área por meio da Lei Complementar nº 45. Essa configuração jurídica exige cuidado diante do uso corrente da expressão “região metropolitana” para um conjunto mais amplo de municípios.
Mata Atlântica predomina apesar do título de “Princesinha do Sertão”
Embora associada histórica e culturalmente ao sertão, a classificação territorial apresentada pelo IBGE informa que o bioma predominante no município é a Mata Atlântica, existindo também presença da Caatinga.
O dado evidencia como denominações históricas e culturais não necessariamente correspondem de maneira exata aos limites ecológicos utilizados pelos órgãos oficiais. A expressão “Princesa do Sertão” integra a identidade histórica da cidade, mas o território municipal encontra-se numa área de transição ambiental mais complexa.
A denominação ganhou projeção histórica e permanece associada à centralidade de Feira de Santana no interior baiano. A Prefeitura registra que a expressão teria sido utilizada por Ruy Barbosa em 1919, durante passagem pela cidade.
18 de setembro concentra memória histórica e agenda institucional
A adoção de 18 de setembro de 1833 como marco da emancipação não elimina a relevância de 16 de junho de 1873, quando ocorreu a elevação formal à categoria de cidade. O debate sobre as duas datas esteve presente durante décadas na historiografia local, até a consolidação de 18 de setembro como Dia da Cidade no calendário oficial.
Para 18/09/2026, a Câmara Municipal programou sessão solene às 15h em homenagem aos 193 anos de emancipação política. A agenda cultural relacionada ao aniversário também se estende para além da data: no dia 26 de setembro, o Projeto Retreta prevê reunir a Sociedade Filarmônica 25 de Março e a Sociedade Filarmônica União Sanfelixta no Coreto da Praça da Matriz.
Assim, o aniversário de 2026 combina a celebração histórica com a divulgação de indicadores que permitem dimensionar a transformação do município: de uma população de pouco mais de 51 mil pessoas no Censo de 1872 a uma estimativa superior a 663 mil habitantes, acompanhada pela consolidação de uma economia de mais de R$ 21 bilhões.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 1832–1833 — O processo de autonomia administrativa em relação a Cachoeira antecede a instalação efetiva do governo municipal; fontes históricas locais distinguem atos ocorridos em 1832 da instalação realizada no ano seguinte.
- 18/09/1833 — Instalação da estrutura político-administrativa municipal; a data passou a representar oficialmente a emancipação de Feira de Santana.
- 1872 — Primeiro Censo Demográfico do Brasil registra 51.696 habitantes em Feira, então o 5º maior município baiano em população.
- 16/06/1873 — A Lei Provincial nº 1.320 eleva a sede à categoria de cidade, com o nome de Comercial Cidade de Feira de Santana.
- 1970 — Com 187.290 moradores, Feira passa a ocupar a condição de 2º município mais populoso da Bahia.
- 2010–2022 — A população aumenta 10,7%, de 556.642 para 616.272 habitantes.
- 06/07/2011 — A Lei Complementar nº 35 institui a Região Metropolitana de Feira de Santana e sua área de expansão.
- 2022 — O Censo registra 616.272 moradores; mulheres representam 53,4% e pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 12,9% da população.
- 2023 — O PIB municipal alcança R$ 21,846 bilhões, tornando-se o 4º maior da Bahia.
- 2025 — A estimativa populacional disponível no Cidades@ registra 660.806 habitantes.
- 2026 — Nova estimativa do IBGE aponta 663.408 habitantes, colocando Feira na 2ª posição na Bahia, 10ª no Nordeste e 34ª no Brasil.
- 18/09/2026 — Feira de Santana completa oficialmente 193 anos de emancipação político-administrativa; a data é ponto facultativo no calendário municipal e terá sessão solene na Câmara.
Os números reunidos pelo IBGE demonstram três características estruturais de Feira de Santana: crescimento demográfico de longa duração, elevada centralidade regional e predominância de uma economia urbana baseada em serviços. A passagem de 51.696 habitantes em 1872 para uma estimativa de 663.408 em 2026 não representa apenas aumento populacional; traduz uma mudança de escala urbana que amplia, necessariamente, a importância do planejamento territorial e da coordenação entre Município, Estado e União.
Há, entretanto, limites claros no que os dados permitem afirmar. O PIB de R$ 21,846 bilhões comprova a dimensão da produção econômica, mas não informa como a renda é distribuída. Da mesma forma, o número de habitantes, a composição racial, o perfil etário e a população dos bairros descrevem a sociedade feirense, mas não medem, por si, qualidade da saúde, educação, transporte, habitação, saneamento ou segurança. Essas dimensões dependem de indicadores adicionais e devem constituir objeto de acompanhamento específico.
Também exige precisão a dimensão metropolitana. Região Geográfica Intermediária do IBGE, Região Metropolitana legalmente instituída e Área de Expansão Metropolitana são conceitos distintos. Misturá-los pode produzir interpretações equivocadas sobre atribuições administrativas, integração de serviços e número de municípios juridicamente abrangidos. O próprio porte regional de Feira torna especialmente relevante esclarecer como a governança metropolitana funciona na prática e quais políticas são efetivamente executadas de modo integrado.
Ao completar 193 anos, Feira de Santana apresenta indicadores que confirmam seu peso demográfico e econômico na Bahia, mas o significado público desses números está no desafio de transformar escala urbana e capacidade econômica em planejamento e serviços compatíveis com uma população superior a 660 mil habitantes e com uma cidade que atende demandas de uma região muito mais ampla. Prefeitura, Câmara Municipal, Governo da Bahia, União, IBGE e estruturas de governança regional permanecem entre os atores centrais para produzir, atualizar e executar políticas capazes de responder a essa dimensão metropolitana.
Fonte: Jornal Grande Bahia / Centro de Feira de Santana — Foto: Reprodução/TV Subaé