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Homem que matou a enteada e o namorado dela na Bahia tem prisão convertida e seguirá para presídio

Bahia

Caso aconteceu na madrugada desta terça-feira (23), no bairro do Matatu, em Salvador.

O homem que foi preso em flagrante por matar a enteada e o namorado dela, com diversos golpes de faca e facão dentro de casa, na Rua Barros Falcão, no Matatu, em Salvador, teve a prisão convertida para preventiva nesta quarta-feira (24).

David Silva Barbosa, de 45 anos, confessou o crime à polícia. Ele será encaminhado para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, onde vai responder detido pelo duplo homicídio qualificado. O crime foi cometido na madrugada de terça-feira (23).

Os corpos das vítimas, Mariana Angélica Borges de Souza, de 28 anos, e André Couto Passos, de 26, foram sepultados na manhã desta quarta. O velório de Mariana foi realizado no Cemitério Bosque da Paz, enquanto o de André foi feito no Cemitério São João Batista, em Jequié, no sudoeste da Bahia.

Abalado, o pai de Mariana, Nilson Borges, participou do enterro e falou sobre a dor de ter perdido a filha, a quem considerava uma amiga.

“Para mim, ela não falou nada, nunca. Eu vi ele uma vez e nunca mais entrei na casa da mãe dela para ver minha filha, só via fora. Eu achava que já tinha cumprido a minha missão, que era criar meus filhos dignamente, mas não esperava esse golpe. Eu perdi meu bebê, minha amiga, minha parceira. Eu não sei minhas senhas, porque tudo quem sabia era ela. Esse marginal tirou minha filha”, disse ele.

Muito emocionada, a mãe de André, Ana Couto, falou sobre o filho durante a despedida, nesta quarta-feira.

“Ele estava muito feliz. Estava trabalhando, feliz com a vida nova dele, com a namorada dele. Ele sempre foi muito alto astral, cheio de amizades. O que levou esse homem a tirar a vida desse casal tão especial para mim? Eu não sei mesmo, queria entender”.

Mãe de Mariana trabalhava no momento do crime

No momento do crime, a mãe de Mariana trabalhava. Segundo a delegada Pilly Dantas, ela foi acionada por vizinhos, que ouviram uma discussão e pedidos de socorro, vindos do apartamento da família. Ao chegar no prédio, ela encontrou a Polícia Militar, que também foi chamada pela vizinhança.

“Ela trabalha durante a noite, é cuidadora de idosos. Quando os policiais militares chegaram no local, eles não arrombaram a porta. Ela tentou abrir a porta do apartamento, entretanto o suspeito havia passado uma trava pela parte interna”.

“Os policiais militares pediram uma autorização da proprietária para arrombar. Ela deu a autorização e estava acompanhando os policiais militares, que entraram e presenciaram a cena horrível”, descreveu a delegada.

O caso é tratado pela polícia como duplo homicídio qualificado, já que o assassinato de Mariana é investigado como feminicídio. Em depoimento à polícia, David também relatou que se sentia inferiorizado pela relação entre a vítima e a mãe.

“Ele alega que era humilhado no relacionamento, ele tinha muito ciúme da relação entre mãe e filha, que a mãe era muito dedicada à filha, que era filha única. Ele se sentia muito humilhado de morar na casa deles. A intenção era de que ele já saísse [da casa], mas ele relutava em sair desse ambiente, desse relacionamento”.

“Ele tinha um certo ciúme das regalias, da atenção que a mãe sempre tinha com a filha”.

Vítimas tentaram se defender

Antes de matar as duas vítimas, David havia tido uma discussão com Mariana, que estava em casa com o namorado, André. À polícia, ele disse que o casal teria zombado dele e que a discussão se acalorou. A delegada afirma que o investigado arrombou a porta do quarto de Mariana.

“Ele alega que ouviu risos, que o casal teria feito chacotas dele, que ouviu: ‘ele está doido, inventando coisas’, e aí ele teria entrado no quarto para tirar satisfações. Ele arrombou a porta do quarto onde o casal estava. Ele nega que, nesse primeiro momento já tenha entrado com a faca, mas há a possibilidade de ele já ter arrombado com a faca na mão, e iniciou a briga”.

“Todo o imóvel está revirado, está tudo quebrado dentro do imóvel. Eles [vítimas] se defenderam dentro do possível, mas ele [investigado] é uma pessoa alta e corpulenta”.

A perícia identificou que Mariana foi atacada primeiro e, segundo a delegada, provavelmente morreu antes de André.

“Depois continuou a luta corporal com o rapaz. Todo o apartamento está quebrado, objeto, móveis, pela defesa. O rapaz tentou se defender do agressor, mas ele pegou um facão também e continuou as agressões com um facão, até que o rapaz não teve mais condições de se defender”, disse Pilly Dantas.

Padrasto tinha ciúmes de relação entre mãe e filha

David alegou ter ciúmes da relação entre a companheira e a filha. O investigado estava com a mãe de Mariana há 14 anos, mas o casal morava junto há três. Apesar de ser vigilante de profissão, ele estava desempregado.

De acordo com a delegada, David não tinha histórico de agressões, nem de doenças psiquiátricas, que poderiam ter causado um surto.

“Não há nenhum histórico [de agressões], nenhuma ocorrência. Nós vamos ouvir as declarações desta senhora, para que ela nos dê detalhes deste relacionamento, mas não tem nenhum registro de ocorrência. Ele não tem nenhum histórico de doença psiquiátrica, nunca tomou remédio controlado e não tem nenhum diagnóstico, até hoje, de nenhuma doença”.

Investigado se deitou ao lado do corpo de enteada

Segundo a Polícia Militar, o suspeito do crime chegou a fingir que também teria se ferido e que estava inconsciente. Em depoimento, David disse que estava passando mal e que ficou exausto pela luta corporal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local para atendê-lo.

“Ajudamos a equipe do Samu a fazer a constatação do que estava havendo ali, porque tinham pessoas feridas. Nessa situação, constatou-se dois óbitos e uma terceira pessoa, que também estava ao solo. Ela não estava em óbito e estava simulando uma inconsciência”, disse o tenente da 58ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), que agiu na situação e preferiu não se identificar.

Fonte: G1 Bahia