Relatos encaminhados ao bahia.ba descrevem um cenário de dificuldades estruturais e operacionais na unidade de saúde
A situação da saúde pública de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, tem sido alvo de críticas crescentes de moradores, profissionais da área e vereadores do município. Denúncias apontam uma série de problemas no Hospital Municipal de Simões Filho que é administrado pela empresa S3 Gestão em Saúde, desde o último dia 30 de dezembro.
Relatos encaminhados ao bahia.ba descrevem um cenário de dificuldades estruturais e operacionais na unidade de saúde, com queixas de demora no atendimento, falta de médicos especialistas, escassez de medicamentos e redução no número de profissionais. Pacientes também relatam que o hospital tem enfrentado dificuldades para absorver o fluxo de pessoas que procuram atendimento, especialmente nos setores de urgência e emergência.
As denúncias indicam ainda que a mudança na gestão da unidade não trouxe a melhora esperada no serviço. Entre as principais queixas estão, ausência de especialistas como obstetras e ortopedistas e a presença de profissionais considerados inexperientes. Funcionários também relatam problemas internos, como atrasos em pagamentos e diminuição do quadro de trabalhadores, o que teria ampliado a sobrecarga nas equipes e contribuído para o aumento do tempo de espera dos pacientes.
Paciente denuncia descaso no atendimento
Um dos episódios relatados à reportagem envolve a idosa Maria Joana Almeida, de 101 anos, que teria aguardado por horas para realizar um exame de tomografia no Hospital Municipal. O caso ocorreu na manhã desta quinta-feira (12) e foi presenciado por moradores que estavam na unidade.
“Estive no hospital para um atendimento e só tinha um médico atendendo. A emergência da SAMU que chegou, e os médicos saíram para almoçar às 13h, ou seja, só um médico para atender vários pacientes. A recepção cheia e uma senhora de 101 anos de idade chegou no hospital, 9h30 para poder fazer um atendimento de uma tomografia, ficou em uma cadeira, uma cadeira dura, não tem uma cadeira acolchoada para atender o pessoal”, relatou um paciente que presenciou a situação.
Segundo o denunciante, a idosa permaneceu por um longo período aguardando atendimento em meio à recepção lotada. Moradores afirmam que episódios semelhantes têm se tornado frequentes na rede municipal de saúde desde a mudança na gestão do hospital.
Criticas do Legislativo
A crise também passou a ser discutida no Legislativo municipal. Vereadores têm cobrado explicações da prefeitura e questionado a condução da política de saúde da cidade, apontando que as reclamações da população se tornaram mais recorrentes nos últimos meses.
A pressão política ocorre em meio a mudanças recentes no comando da Secretaria Municipal de Saúde. No fim de janeiro de 2026, a então secretária Iridan Brasileiro deixou o cargo. Desde então, a pasta passou a ser conduzida de forma interina por Ananda Gonçalves.
Quase dois meses após a mudança, a secretaria permanece sob comando interino e não há previsão oficial de definição de um novo titular. Nos bastidores da política local, a indefinição no comando da pasta é apontada como um dos fatores que contribuem para a falta de direcionamento na gestão da saúde municipal.
Outro aspecto que chama atenção é que o site oficial da Secretaria Municipal de Saúde ainda mantém o nome de Iridan Brasileiro como titular da pasta, mesmo após sua saída do cargo.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Simões Filho não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria.
O que diz a S3
A empresa S3 Gestão em Saúde também foi contatada e encaminhou uma nota sobre as denúncias. Em posicionamento, a entidade afirma que as acusações não procedem e que a unidade segue funcionando normalmente.
A S3 Gestão em Saúde, entidade gestora do Hospital Municipal de Simões Filho, esclarece que não procedem as denúncias apresentadas e informa que a unidade segue funcionando regularmente, com assistência mantida e monitoramento contínuo dos fluxos assistenciais e operacionais.
Sobre os pontos mencionados, a empresa afirmou que não há registro institucional que comprove situação generalizada de inadequação assistencial na unidade e que o hospital mantém seus serviços em funcionamento, com equipes técnicas atuantes, protocolos assistenciais estabelecidos e acompanhamento permanente da gestão.
Em relação às alegações de desligamento de médicos, a empresa informou que a gestão de escalas e a composição das equipes são realizadas de forma técnica e responsável, observando critérios assistenciais, contratuais e operacionais, e que todas as escalas da unidade se encontram completas.
Sobre a suposta ausência de especialistas, como obstetras e ortopedistas, a S3 afirmou que a unidade mantém cobertura assistencial compatível com sua demanda e com o perfil de atendimento contratado, não havendo, segundo a empresa, cenário de ausência estrutural dessas especialidades que comprometa a assistência.
A empresa também negou que o hospital esteja operando acima da capacidade. De acordo com a gestora, a unidade funciona com acompanhamento contínuo da demanda, da ocupação e dos fluxos internos, com adoção de medidas operacionais necessárias para assegurar o atendimento à população. A empresa afirma que momentos de maior procura podem ocorrer, mas que isso não significa colapso ou incapacidade estrutural da unidade.
Por fim, a S3 afirmou que atua com responsabilidade, transparência e compromisso com a assistência prestada à população, mantendo acompanhamento permanente dos indicadores da unidade e adotando medidas contínuas de qualificação dos processos, das equipes e do atendimento.
Fonte: Bahia.ba / Foto: Divulgação