Ipirá: A Entrega da Chave

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Por Agildo Barreto – Domingo, 27 de dezembro de 2020


Parece título de filme: A ÚLTIMA SEMANA DO PREFEITO MARCELO BRANDÃO. O prefeito MB sai de sua casa e vai para seu gabinete na prefeitura. Vagarosamente, começa a recolher seus pertences particulares: porta-retratos; agenda pessoal; pequenos objetos individuais; medalhas; figas, que serviriam para afastar desgraças ou malefícios, por último, a caneta. 

O repórter da imprensa local faz a penúltima pergunta: “prefeito MB o que passa pela sua cabeça nesse momento?” A resposta é imediata: “Tenho a certeza do dever cumprido e fiz o melhor por minha terra.” Acontece a última pergunta: “e agora prefeito MB?” A resposta foi em cima da bucha: “agora é entregar a chave!”

ENTREGA A CHAVE! Parece título de música de paredão. O prefeito MB não disse, mas no íntimo ele sabe que, por quatro anos, mandou nesse município. Mandou e desmandou Teve seu sonho realizado. Por quatro anos, conduziu o destino dessa terra do jeito que quis e bem entendeu. Teve erros e acertos. Chupou melancia e pisou em visgo de jaca. Por quatro anos, controlou as contas bancárias mais recheadas do município: dez milhões de reais todo mês. Agora, ACABOU! Parece título de música de paredão quando a festa acaba.

ACABOU A FESTA! LEVANTOU POEIRA! O que era pra ser quatro anos de festa, não passou de uma micareta. Uma só micareta. A entrega da chave para os vereadores. Para o prefeito Dudy, um abacaxi e uma faca cega para descascá-lo. É a tal da ‘herança maldita’ uma brincadeira amaldiçoada do jacu para o macaco e vice-versa. E o município se lascando.

O esqueleto do melhor Centro de Abastecimento da região com um grande problema social nas suas entranhas; um Mercado de Arte incendiado; uma Casa do Estudante desmoronada; o famoso Matadouro de Ipirá que não serve para nada; uma biblioteca sem uso; uma cidade que está rodeada por esgoto a céu aberto; várias obras começadas e não terminadas; ruas entregues à poeira e lamaçal; uma baixa oferta de trabalho e renda; um baixo IDHM no município e um alto índice de população invisível. Sem universidade e sem UTI. A grande maioria da população sem lenço e sem documento.

Esparro e mais esparro. Um deixa para um e um deixa para o outro. Esse é o rodízio do jacu e macaco. A população insiste em sobreviver dessa forma e desse jeito. Dudy está faltando uma semana para entrar no seu gabinete de prefeito.

Nem assumiu, já tem pepinos à vista. A desistência de René Saint Clair de assumir a Secretária de Saúde é uma perda imensa para o futuro governo municipal, que ficou desfalcada de uma pessoa íntegra, decente e competente para tocar um dos maiores problemas deste município: a saúde pública.

Por motivos pessoais é compreensível e inquestionável. Por motivos políticos demonstra que teremos muita tempestade nestes quatro anos. O ex-prefeito Diomário com sua experiência e habilidade na articulação está se posicionando na cabeceira da mesa e saboreia duas previstas indicações que participaram da sua gestão.

A macacada é assim: uma colcha de retalhos e todo grupelho querendo assento na mesa, deixando as cadeiras vazias. A vice Nina não se sente contemplada em sua posição e pode (não deve) puxar a toalha. Com dois vereadores na gibeira poderá fazer uma composição venenosa com a futura oposição da jacuzada.

Retificando em tempo. Na Câmara de Vereadores não existe jacu e macaco, o que temos e teremos, são vereadores da situação e de oposição. Se o prefeito do dia 1 de janeiro não entender isso, ele dará com ‘burros n’água’ no início da partida e de nada adiantará ‘ajoelhar para rezar’.

Dizer que a presidência da Câmara de Vereadores é ‘problema deles’ é não saber e não ter noção da cor da chita da toalha que cobre a mesa e que cada grupelho da macacada puxa para si.

Dizer que não dará dinheiro a vereador é bonito e muito correto. Quem o diz está de parabéns. Mas o sistema é jacu e macaco e não perdoa quem o ignora. O prefeito da ‘semana que vem’ tem muito que ir ao confessionário conversar, ao pé do ouvido, com o ex-prefeito Diomário. Como diz meu amigo Mug de Ioiô Arapiraca: “muito cuidado com os menudos!” Um bom lembrete.

Por Agildo Barreto

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