Livro de Pajé Jaçanã Pataxó será lançado no extremo sul da Bahia

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Construída a partir da oralidade e das memórias da primeira mulher pajé Pataxó do extremo sul da Bahia, a publicação terá lançamentos em Arraial d’Ajuda, Trancoso e Santo André, em Santa Cruz Cabralia.
O livro “ Pajé Jaçanã Pataxó: caminhos, sementes e frutos” de Maria d’Ajuda Alves da Conceição — Pajé Jaçanã Pataxó — será lançado entre os dias 28 de outubro e 1º de novembro em três lugares do extremo sul da Bahia. A programação começa em Aldeia Velha, território indígena Pataxó localizado em Arraial d’Ajuda, onde Jaçanã vive e participou do processo de retomada e formação do território. Depois, segue para Trancoso, durante a II Feira Literária Afropindorâmica de Trancoso (FLIT), e termina na Vila Criativa, Ponto de Cultura em Santo André, distrito de Santa Cruz Cabrália.

Parteira, pajé, matriarca e liderança de Aldeia Velha, Jaçanã conta sua própria história na obra . A publicação foi inteiramente construída a partir de sua oralidade e reúne memórias da infância, da família, dos deslocamentos vividos pelo povo Pataxó, dos partos, das plantas e práticas de cura, da espiritualidade, das lutas pelo território e da formação de Aldeia Velha.
A edição preservou o modo como Jaçanã conta suas histórias, mantendo expressões, ritmos e palavras próprias de sua fala. A narrativa dialoga com memórias de familiares, pessoas da comunidade e outras gerações, relacionando a trajetória de Jaçanã à história coletiva do território e do povo Pataxó.

O livro reúne ainda fotografias, cartografia e ilustrações produzidas por Jaçanã, familiares e estudantes da Escola Indígena Pataxó Aldeia Velha durante oficinas e rodas de saberes realizadas ao longo do processo de construção da obra do selo editorial da Rede de Mulheres Eu Mais Velha. Trata-se de uma iniciativa de mulheres guardiãs de saberes e tecnologias ancestrais de cura e cuidado que amplifica as vozes das mulheres mais velhas por meio de publicações, registros audiovisuais, mostras, formações, intercâmbios e ações de base territorial.

A publicação foi organizada e editada por Bianca Magalhães Sevciuc, uma das coordenadoras da Rede e responsável pelo selo Eu Mais Velha, e por Cecília Suñé Novossat, da Territórios-Corpa em Expressão.
Além da edição impressa, o projeto conta com um audiolivro e terá continuidade com o lançamento da série em podcast Rádia Jaçanã Pataxó, com produção técnica e edição de Airton Gregório. O audiolivro será disponibilizado gratuitamente nos canais da Eu Mais Velha e mantém presente a oralidade que está na origem de todo o trabalho.

A série Rádia Jaçanã Pataxó aborda as memórias e histórias de Aldeia Velha e foi realizada com jovens do grupo de cultura Urumã Nakian, que participaram de oficinas de roteiro, entrevista e produção ministradas pela equipe do livro e entrevistaram mulheres mais velhas da aldeia, reconhecidas por seus conhecimentos, suas histórias e sua importância para a comunidade. O podcast será lançado posteriormente pelos canais da Eu Mais Velha.

Programação

Os lançamentos começam no dia 28 de outubro, às 19h, em Aldeia Velha, território indígena Pataxó localizado em Arraial d’Ajuda, onde Jaçanã vive e participou do processo de retomada e formação do território. No dia 30 de outubro, Jaçanã participa da roda de conversa “Narrar para não apagar: 75 anos do Fogo de 51”, às 9h30, e, às 11h, apresenta o livro durante a II Feira Literária Afropindorâmica de Trancoso (FLIT), no Bosque, em Trancoso. O terceiro encontro acontece no dia 1º de novembro, às 17h, na Vila Criativa, em Santo André, Santa Cruz Cabrália.

O projeto foi contemplado no Edital Apoio à Publicação de Livros da Paulo Gustavo Bahia, executado pela Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Os lançamentos contam com o apoio do Instituto Brasil Chama África e de iniciativas parceiras. Em Santo André, somam-se a esse apoio a Vila Criativa, a Biblioteca Comunitária Vila de Santo André, o Centro de Desenvolvimento Humano Terra Mater, a Mata Encantada, Benza e Dantah.

Para a autora , o livro resgata os saberes ancestrais do povo Pataxó. “Eu quero deixar essa lembrança para todos vocês. Para os que nasceram e os que vão nascer e tudo, que às vezes não me conheceu, mas vai saber que teve essa pajezinha velha aqui. É a minha história, a minha relação com as ervas. Eu ensino remédio. Tudo eu ensino para o povo, eu saio pelo mundo ensinando remédio. Eu não tenho segredo”.

Foto: Airton Gregório e Divulgação

Por Cláudia Correia

Fonte: Aldeia Nagô

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