Compradores adiam negociações à espera de preços mais baixos, enquanto vendedores flexibilizam condições comerciais.
As novas projeções divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2025/26 de milho aumentaram a percepção de oferta confortável no mercado brasileiro e contribuíram para reduzir o ritmo das negociações nas últimas semanas. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que observam compradores mais retraídos diante da expectativa de novas quedas nos preços.

Foto: Jonas Oliveira/Seab
De acordo com a Conab, a estimativa para a primeira safra de milho foi revisada para 28,46 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 14% em relação ao ciclo anterior e avanço de 2% frente ao relatório divulgado em abril. O aumento da produção é atribuído à expansão de área cultivada e aos ganhos de produtividade registrados na maior parte das regiões produtoras do país.
Com a perspectiva de maior disponibilidade do cereal, parte dos consumidores tem indicado possuir estoques suficientes para atender à demanda das próximas semanas, fator que reduz a necessidade de compras imediatas. Segundo o Cepea, esse cenário tem levado agentes do mercado a aguardarem recuos mais intensos nas cotações antes de fechar novos negócios.

Outro fator que contribui para a postura mais cautelosa dos compradores é o elevado volume de estoques de passagem no início da temporada 2025/26. Pesquisadores do Centro de Pesquisas destacam que os níveis atuais estão entre os maiores registrados nos últimos anos, o que reforça a sensação de abastecimento confortável no mercado interno.
Do lado da oferta, vendedores acompanham a pressão baixista sobre os preços e a ocupação parcial dos armazéns, que ainda recebem volumes remanescentes das safras anteriores e produtos da colheita atual de soja e milho de verão. Diante desse contexto, produtores e demais agentes têm adotado maior flexibilidade nas negociações, ajustando preços e prazos de pagamento para estimular a comercialização.
Fonte: O Presente Rural com informações Cepea / Fotos: Shutterstock