Mercado espera mais do que o vencedor da eleição; quer saber quem vai fechar a conta fiscal

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O próximo presidente terá pela frente uma tarefa que pode definir o comportamento da economia brasileira nos próximos anos: apresentar um plano crível para equilibrar as contas públicas. Essa é a principal mensagem da Carta do Gestor de setembro da Kinea Investimentos, que avalia que a forma como o futuro governo conduzirá o ajuste fiscal terá mais peso para os ativos brasileiros do que o próprio resultado das urnas.

Segundo a gestora, o Brasil precisará de um ajuste próximo de 2% do PIB para estabilizar a dívida pública e permitir uma trajetória mais favorável para os juros. A discussão, porém, não se limita ao volume do esforço fiscal. A Kinea destaca que as medidas precisarão ser negociadas com um Congresso fragmentado e, para surtirem efeito já em 2027, terão de começar a ser discutidas ainda no período de transição.

No cenário-base da casa para 2027, o PIB cresce 1%, a inflação encerra o ano em 4,7% e a Selic termina em 12,5%. A projeção considera um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do PIB anunciado logo no início do próximo mandato. A ausência de um plano ou a adoção de medidas consideradas populistas poderia interromper o ciclo de queda dos juros, na avaliação da gestora.

No exterior, a Kinea vê a economia americana mantendo resiliência mesmo após a retomada da alta dos juros pelo Federal Reserve. A gestora segue com posições favoráveis ao dólar e aposta em desaceleração da atividade na Europa, mantendo exposição a títulos de juros em mercados como Europa, México e Nova Zelândia.

Em inteligência artificial, o foco dos investidores, segundo a carta, deve estar menos no avanço tecnológico e mais na capacidade das empresas de transformar inovação em receitas. A Kinea avalia que os laboratórios do setor precisarão acelerar significativamente o faturamento nos próximos anos para justificar as expectativas atuais do mercado.

No Brasil, a gestora informou ter ampliado sua exposição à bolsa por meio do ETF EWZ, apoiada na maior probabilidade de avanço de uma agenda mais comprometida com o ajuste fiscal. Já no exterior, a aposta em tecnologia está concentrada em opções ligadas ao Nasdaq e em mercados asiáticos, como Coreia do Sul e Taiwan.

A carta também destaca os riscos no mercado de commodities. Os conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu seguem pressionando os preços de energia, especialmente do diesel, combustível considerado estratégico para toda a cadeia de transporte de mercadorias. Ao mesmo tempo, a gestora mantém uma visão mais construtiva para o petróleo e continua posicionada em ativos como ouro, cobre e commodities agrícolas.

Para a Kinea, o ambiente global segue marcado por incertezas. Nesse contexto, a combinação entre disciplina fiscal, gestão de risco e seletividade nos investimentos continuará sendo o principal fator para atravessar os próximos anos com maior previsibilidade.

Fonte: Money Report

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