Mineradora no Vale do Jiquiriçá é alvo de denúncias sobre pressão a agricultores e impactos ambientais

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Reportagem do Intercept Brasil aponta riscos ambientais, pesquisas em áreas protegidas e relatos de moradores sobre pressão para venda de terras na região.

Uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil levantou denúncias sobre o projeto de exploração de terras raras no Vale do Jiquiriçá, na Bahia. Entre os pontos abordados estão possíveis impactos ambientais, a presença de minerais radioativos e relatos de agricultores que afirmam sofrer pressão para vender suas propriedades.

Segundo a publicação, a mineradora australiana Brazilian Rare Earths (BRE), representada no Brasil pela Borborema, está à frente do projeto Burro Morto, que ainda passa por etapas de licenciamento ambiental. A previsão apresentada anteriormente pela empresa é iniciar a exploração em 2030.

A reportagem também aponta que a bilionária australiana Gina Rinehart está ligada ao empreendimento. De acordo com o levantamento, cerca de 167,6 mil hectares estão sob controle da Brazilian Rare Earths na região, e pelo menos 20 agricultores familiares podem ser afetados.

Agricultores relatam pressão para vender propriedades

Conforme o Intercept, moradores da região relatam mudanças na rotina rural, com circulação de máquinas e caminhões, barulho e intervenções em estradas. A publicação também reúne relatos de supostas pressões para que proprietários negociem suas terras.

Uma moradora identificada pelo codinome Berenice afirmou temer ser reconhecida e disse que a situação tem afetado sua saúde emocional. Segundo a reportagem, das 120 famílias presentes na região de Monte Alto, 17 afirmaram já ter vendido propriedades à mineradora.

A empresa foi questionada sobre as negociações, mas, segundo o Intercept, não respondeu quantas já foram concluídas ou permanecem em andamento.

Projeto envolve áreas protegidas e minerais radioativos

A reportagem aponta que direitos minerários abrangem áreas da Área de Proteção Ambiental (APA) Caminhos Ecológicos da Boa Esperança, que possui nascentes e cachoeiras, e cita a Estação Ecológica de Wenceslau Guimarães entre as áreas que poderiam ser afetadas.

O projeto prevê a exploração de elementos como neodímio, praseodímio, ítrio e térbio. Segundo a publicação, a presença de minerais radioativos também levou a empresa a buscar autorizações da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).

Em março deste ano, a Borborema recebeu autorização para realizar exploração experimental de até 2 mil toneladas de minério por ano, durante três anos. À reportagem, a empresa afirmou que ainda não iniciou a extração e que a operação depende das autorizações ambientais e radiológicas aplicáveis.

Sobre as denúncias de assédio, a Borborema declarou que não admite pressão ou constrangimento por parte de seus representantes e afirmou estar disponível para apurar formalmente relatos dessa natureza. A empresa também disse que as negociações são individualizadas e baseadas em avaliações técnicas.

A Synergia, também procurada pelo Intercept, não respondeu aos questionamentos, segundo a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.

Fonte: Voz da Bahia / Foto: Reprodução



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