Em um momento de maior pressão sobre o crédito rural e de incertezas regulatórias, o Ministério da Agricultura tem intensificado o diálogo com representantes do agronegócio como forma de calibrar políticas públicas e reduzir ruídos na execução de programas como o Plano Safra. A interlocução direta com produtores, cooperativas e instituições financeiras é vista dentro do governo como um mecanismo para antecipar gargalos operacionais e ajustar instrumentos de financiamento e controle ambiental.

Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula: “Estar aqui faz parte da estratégia de escuta desde que assumi o ministério” – Foto: Beatriz Batalha
Foi nesse contexto que o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou na segunda-feira (04) de reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, em São Paulo. “Estar aqui faz parte da estratégia de escuta desde que assumi o ministério. Ouvi atentamente todas as intervenções e tenho dimensão dos desafios para os próximos meses”, ressaltou.
O encontro marcou a primeira participação do ministro no colegiado. Ele foi recebido pela senadora Tereza Cristina, presidente do Cosag, e esteve acompanhado de secretários da pasta e da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.
Durante a reunião, representantes do setor produtivo e de instituições financeiras relataram entraves no acesso ao crédito, especialmente relacionados às exigências ambientais vinculadas ao Projeto Prodes. Segundo o setor, cerca de 28% dos produtores que já contrataram financiamento podem ser atingidos por restrições, inclusive em situações já regularizadas, mas ainda registradas no sistema por conta da metodologia de atualização anual. “Há casos em que o produtor já resolveu a pendência, mas segue impedido de acessar crédito por defasagem de dados”, disse um participante.
Como resposta, a Embrapa apresentou o TerraClass, sistema de mapeamento do uso e cobertura da terra. A ferramenta atualmente abrange os biomas Amazônia e Cerrado e deve ser expandida para outras regiões, com a proposta de aprimorar a base técnica utilizada na análise de risco ambiental.
O ministro afirmou que a presença da equipe técnica na reunião reflete a prioridade dada ao tema e indicou que o governo trabalha na formulação do próximo Plano Safra. Ao mesmo tempo, reconheceu o impacto do cenário macroeconômico. “Estamos construindo um Plano Safra robusto, mas as taxas de juros elevadas impõem limites importantes ao crédito rural”, declarou.
Diante das demandas apresentadas, o Cosag deve convidar representantes do Ministério da Fazenda para aprofundar a discussão em uma próxima reunião.
No período da tarde, o ministro e os secretários participaram de encontro com lideranças do setor na Sociedade Rural Brasileira, também na capital paulista.
Fonte: O Presente Rural com SFA-SP / Foto: Pixabay