Nunes rifa Milton Leite após prisão: “Responda por seus atos”

Bahia Brasil política

Publicado por Laura Jordão – Atualizado em 19 de setembro de 2026

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), tentou estabelecer distância de Milton Leite (União Brasil) neste sábado (19), um dia depois de o ex-presidente da Câmara Municipal ser preso na Operação Vectura Corrupta. “Cada um que responda por seus atos”, afirmou Nunes ao comentar a investigação sobre a infiltração do PCC no sistema de transporte paulistano. O prefeito acrescentou que Leite terá direito à defesa e disse que “já tem alguns dias” que não conversa com o antigo aliado.

O distanciamento tomado por Nunes contrasta com a participação de Milton Leite na articulação que levou Nunes a ser escolhido como vice de Bruno Covas, que ampliou ainda mais sua influência na Prefeitura quando o emedebista assumiu o cargo, em 2021. Nos bastidores da política paulistana, chegou a ser tratado como uma espécie de “segundo prefeito” em que, durante a primeira gestão Nunes, sua força na Câmara e no Executivo era tamanha que poucas decisões relevantes passavam à margem de sua articulação.

A proximidade também chegou à estrutura formal da Prefeitura. Alexandre Leite, filho mais velho de Milton, ocupou a Secretaria de Relações Institucionais de Nunes até março deste ano, quando deixou o cargo para disputar uma vaga de deputado federal. O próprio prefeito participou do lançamento de sua candidatura. Milton Leite, por sua vez, chegou a disputar internamente a indicação para vice na chapa de reeleição de Nunes em 2024.

A virada de chave no entanto, foi a Operação Vectura Corrupta que apura suspeitas de que o PCC tenha assumido o controle ou influência sobre empresas de ônibus da Grande São Paulo para lavar dinheiro, corromper agentes públicos e financiar campanhas. A investigação aponta Leite como “dono de fato” da Transwolff e responsável por decisões operacionais relacionadas a empresas sob suspeita. Ele nega qualquer vínculo com a facção ou com a companhia e afirma que sua atuação no setor foi apenas institucional.

A apuração também alcança personagens que passaram diretamente pela administração Nunes. Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito durante a atual gestão, está entre os alvos presos da operação. A investigação já havia colocado estruturas da Prefeitura e antigos integrantes da gestão no centro das suspeitas sobre infiltração do PCC no transporte. Leite, por sua vez, foi durante anos um dos principais operadores políticos da base que sustentava Nunes na Câmara.

O cerco de investigações sobre a administração municipal não termina no transporte. O caso “Dark Horse” também alcançou contratos da Prefeitura. A Polícia investiga suspeitas de fraude e desvio em um acordo de R$ 108 milhões firmado pela gestão Nunes com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, também ligada à produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro. A operação sobre o contrato da Prefeitura com o ICB colocou a gestão Nunes no centro da apuração sobre “Dark Horse”. Nunes chegou a defender Karina publicamente, chamando-a de “decente” e “trabalhadora”.

Essa investigação também identificou uma conexão indireta com o PCC. O ICB repassou milhões de reais à Favela Conectada, empresa que tinha entre os sócios Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado por órgãos de inteligência como integrante da facção. Ricardo Nunes não é investigado em nenhum dos casos.

Fonte: DCM / O ex-vereador Milton Leite, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Foto: Lucas Bassi/Rede Câmara SP




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