O desafio coletivo de reconstruir a educação brasileira

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Quando observamos os sistemas educacionais mais bem-sucedidos do mundo, percebemos um elemento comum: a educação é tratada como uma responsabilidade compartilhada

Durante muitos anos, quando os resultados educacionais não correspondiam às expectativas da sociedade, a responsabilidade recaía quase exclusivamente sobre a escola. Se os estudantes apresentavam baixo desempenho, a culpa era da escola. Se havia evasão, a culpa era da escola. Se os jovens demonstravam dificuldades de convivência, de leitura, de escrita ou de pensamento crítico, a culpa novamente recaía sobre a escola e, especialmente, sobre os professores.

Mas será que a escola fracassou sozinha? Essa é uma pergunta que precisamos enfrentar com coragem e honestidade.

A educação brasileira vive um dos momentos mais complexos de sua história. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) continuam a apontar desafios significativos em leitura, matemática e ciências. Dados recentes mostram que milhões de estudantes apresentam defasagens importantes de aprendizagem, agravadas pelos impactos da pandemia e pelas desigualdades históricas que atravessam o país.

Ao mesmo tempo, as escolas passaram a assumir responsabilidades que vão muito além da aprendizagem acadêmica. Hoje, espera-se que a escola ensine conteúdos curriculares, promova a saúde mental, trabalhe competências socioemocionais, enfrente a violência, desenvolva a cidadania digital, previna o cyberbullying, acolha situações familiares complexas, discuta a diversidade, prepare para o mercado de trabalho e ainda responda aos desafios trazidos pela Inteligência Artificial e pelas novas tecnologias.

Nunca se exigiu tanto da escola! E talvez ela nunca tenha recebido tão pouco apoio proporcional aos desafios que enfrenta. 

A verdade é que a educação é um fenômeno coletivo. Nenhuma escola, por melhor que seja, consegue transformar sozinha uma realidade marcada pela desigualdade social, pela insegurança alimentar, pela exclusão digital, pela ausência de políticas públicas consistentes e pelo enfraquecimento de algumas redes de apoio fundamentais ao desenvolvimento de crianças e jovens.

Fonte: Revista Educação / “A escola continua sendo uma das instituições mais importantes para a construção de uma sociedade democrática, justa e desenvolvida” (Foto: Shutterstock)

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