Por que Argentina e Inglaterra se odeiam? Entenda rivalidade que vai de guerra a Maradona e Beckham

Bahia Brasil esportes

Gustavo Zupak, Matheus Henrique e Murilo Borges, de Miami (EUA) – Domingo, 12 de julho de 2026

Se de um lado as semifinais da Copa do Mundo colocam duas seleções tratadas como favoritas antes mesmo do torneio começar (França e Espanha), do outro o confronto entre Argentina e Inglaterra tem um passado de rivalidade que envolve guerra, um lance de malandragem que até hoje gera revolta e uma cicatriz que demorou anos para ser curada.

O duelo marcado para a próxima quarta-feira (15), em Atlanta, será o primeiro entre argentinos e ingleses desde um amistoso em 2005. São 21 anos de espera para que os países voltem a se enfrentar, agora no jogo mais importante entre eles e um novo capítulo de uma (literalmente) batalha que começou fora dos campos.

Em 1982, Argentina e Inglaterra travaram um conflito armado que ficou mundialmente conhecido por Guerra das Malvinas. Durou pouco mais de dois meses, entre abril e junho, e definiu o controle das Ilhas Malvinas. Os britânicos recuperaram a posse do arquipélago, em uma batalha que matou 649 soldados argentinos e 255 ingleses.

Quatro anos depois, ainda com um clima hostil entre as duas populações, veio o embate dentro dos gramados. No dia 22 de junho de 1986, Inglaterra e Argentina se encararam pelas quartas de final da Copa do Mundo do México, um dia depois da eliminação do Brasil para a França, nos pênaltis, em Guadalajara.

A partida estava empatada até os seis minutos do segundo tempo, quando, após uma bola rebatida no alto, Diego Maradona subiu e desviou, com a mão esquerda, a bola que escaparia de Peter Shilton e entraria mansamente no gol inglês.

Em uma época de futebol décadas antes do VAR, o árbitro Ali Ben Nasser, da Tunísia, não enxergou irregularidade e validou o lance, que, para desespero dos ingleses, seria batizado pelo próprio autor como La Mano de Díos (“A Mão de Deus”, em tradução automática). Maradona demoraria para confessar, o que só aconteceu em 2005, numa época em que apresentava um programa de televisão na Argentina. Shilton não levou a sério e preferiu não aceitar.

Aquele dia ainda ficaria marcado pelo outro gol de Maradona, para muitos o mais bonito da história das Copas. Apenas cinco minutos depois, o 10 argentino recebeu no meio-campo e, em velocidade, enfileirou a defesa da Inglaterra para marcar uma obra de parte. Os hermanos venceram por 2 a 1 e seguiram adiante rumo ao bicampeonato.

Mais rivais que nunca, os países voltaram a duelar em uma Copa mais de uma década depois, em 1998, nas oitavas de final. Em 15 minutos, a Inglaterra vencia por 2 a 1, gols de Alan Shearer Michael Owen, mesmo após Gabriel Batistuta abrir o placar. Javier Zanetti, ainda no primeiro tempo, empataria o duelo.

O lance mais importante foi outro. David Beckham, já um astro no país, foi expulso ao revidar uma entrada mais dura de Diego Simeone, hoje técnico do Atlético de Madrid. Com um a menos, a Inglaterra caiu nos pênaltis, deixou a Copa e viu o camisa 7 do Manchester United assumir toda a culpa.

Simeone cumprimenta Beckham na vitória por 1 a 0 da Inglaterra sobre a Argentina na Copa do Mundo de 2002 Odd Andersen/AFP via Getty Images

“Houve muitas ameaças e não somente contra mim, mas também contra toda a minha família. Essa foi a parte mais difícil”, disse o meia, na época. “Cheguei a pensar em jogar no exterior. Tinha apenas 23 anos e queria jogar pela equipe que amava, mas muitos me diziam que não deveria ir a determinados estádios na Inglaterra. Nesses momentos, ou você vai para casa chorar ou luta”.

Beckham lutou e teve a revanche justamente na Copa seguinte, em 2002. Depois de ser o autor do gol que colocou a Inglaterra no Mundial, em uma bela cobrança de falta contra a Grécia, o camisa 7 reencontrou a Argentina e decidiu, de pênalti, a vitória por 1 a 0 na fase de grupos.

Os argentinos, que chegaram à Copa como favoritos, caíram ainda na primeira fase, enquanto os ingleses seguiram até as quartas de final, quando pegaram o Brasil e foram eliminados de virada. Desde então, somente um amistoso, que acabou em vitória europeia por 3 a 2: Hernán Crespo e Walter Samuel marcaram para os sul-americanos, que caíram graças a Wayne Rooney Owen (dois).

Na quarta, um novo encontro marcado.

Fonte: ESPN Brasil / Maradona marca gol de mão contra a Inglaterra Getty Images

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