Planejamento previa intervalos maiores em linhas da capital baiana; prefeitura afirma que operação foi semelhante à do primeiro turno
Documentos apresentados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que a gestãoautorizou intervalos maiores entre viagens de ônibus em linhas da capital baiana no domingo da eleição. O PT acusou o município de tentar prejudicar o deslocamento de eleitores, e a Polícia Federal deve investigar o caso após solicitação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
Embora tenha alegado ao STF que manteve a mesma programação do primeiro turno, com 2,9 mil viagens, a prefeitura apresentou um planejamento diferente do previsto para dias úteis. Na linha 1328, entre Pirajá e Mussurunga, os intervalos passaram de 25 a 30 minutos para 40 a 50 minutos. Na linha 1246, entre Pirajá e Patamares, a previsão era de 70 minutos, contra 22 minutos em dias úteis. Já a linha 141, entre a Lapa e o Hospital Geral do Estado, tinha intervalo de 55 minutos, ante 22 minutos durante a semana.
A reportagem do O Globo também identificou intervalos de 40 a 50 minutos na linha 1324, entre Pirajá e Sete de Abril, enquanto a frequência habitual é de 26 minutos. Outras linhas mantiveram programação semelhante à dos dias úteis, conforme os documentos municipais.
No domingo, Bruno Reis afirmou ter ampliado a oferta de transporte em relação a eleições anteriores. Após uma fiscalização do Procon estadual identificar 944 ônibus parados em sete garagens, o prefeito disse que parte dos veículos compunha a frota reserva e afirmou que eventuais descumprimentos seriam responsabilidade das empresas. A prefeitura também atribuiu atrasos pela manhã à colocação de adesivos com o número 13 nos veículos por sindicalistas apoiadores do PT e declarou que a circulação foi normalizada às 10h30.
Em resposta à Justiça Eleitoral, a gestão municipal argumentou que ônibus estacionados fazem parte da operação normal do sistema e afirmou que a convocação de 100% da frota, decidida na tarde de domingo, exigiu chamar motoristas que estavam de descanso, o que teria provocado atrasos na recomposição do serviço.
Apesar dos relatos de dificuldades no deslocamento, a abstenção em Salvador caiu de 20,1% no primeiro turno para 15,7% no segundo. Lula (PT) recebeu 73,3% dos votos válidos na capital baiana, contra 26,7% de Flávio Bolsonaro (PL).
Fonte: Metro 1 / Foto: Divulgação/Semob