SESAB e a Prefeitura de Feira de Santana divergem sobre a apresentação de documentos relacionados regulação.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a Prefeitura de Feira de Santana divergem sobre a apresentação de documentos relacionados à declaração do prefeito José Ronaldo de Carvalho de que 700 pessoas teriam morrido no município enquanto aguardavam atendimento pelo sistema de regulação em 2025.
Em nota, a Sesab afirma que, quase um mês após a declaração, não recebeu da Prefeitura de Feira de Santana documentos que comprovem o número informado pelo prefeito. Segundo a secretaria estadual, o município foi oficialmente questionado sobre a fonte dos dados, a metodologia utilizada, os critérios adotados e os documentos que teriam fundamentado a afirmação.
A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, afirmou que aguarda a apresentação das informações.
“Já se passou quase um mês e nós não recebemos nenhum documento. Eu reitero o desafio ao prefeito, quero que ele apresente os dados, a metodologia.”
A secretária também ressaltou que José Ronaldo exerce o quinto mandato como prefeito e defendeu responsabilidade na divulgação de dados relacionados à saúde pública.
A Sesab divulgou números referentes ao atendimento de pacientes de Feira de Santana pela Central Estadual de Regulação.
De acordo com a secretaria, mais de 17 mil moradores do município passaram pela Central Estadual de Regulação em 2025. Em 2026, até junho, foram 4.932 pacientes regulados, segundo os dados apresentados pelo órgão estadual.
A Sesab informou ainda que, neste ano, os 4.932 pacientes foram encaminhados para unidades da rede estadual.
Prefeitura diz que documentos foram entregues ao Ministério Público
Em resposta, a Prefeitura de Feira de Santana afirmou que José Ronaldo já encaminhou ao Ministério Público Estadual (MP-BA) a documentação relacionada à informação sobre as 700 mortes.
Segundo a administração municipal, os documentos foram entregues depois que o prefeito tornou pública a declaração.
A Prefeitura sustenta que as informações apresentadas pelo gestor estão fundamentadas em documentos encaminhados ao Ministério Público, que, segundo a gestão, seria o órgão responsável por analisar o material, verificar os fatos e adotar as medidas consideradas necessárias.
A administração municipal também afirmou que a posição do prefeito é de que a situação da regulação de pacientes seja discutida de forma transparente, especialmente em relação aos impactos sobre pessoas que dependem da rede pública estadual de saúde.
De acordo com a Prefeitura, o encaminhamento da documentação ao Ministério Público demonstra a disposição da gestão em permitir que os dados sejam analisados pelos órgãos de controle.
Enquanto a Sesab afirma que não recebeu da Prefeitura a documentação solicitada para comprovar o número e detalhar a metodologia utilizada, o município diz que os documentos foram encaminhados ao Ministério Público e que cabe ao órgão de controle fazer a apuração.
Fonte: Jornal Folha do Estado / Foto: Reprodução