Salvador é apontada como quarta pior capital em qualidade de vida no IPS 2026 em artigo publicado por Deyvid Bacelar

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O artigo “Do paraíso de Vinicius à quarta pior capital do Brasil”, assinado por Deyvid Bacelar e publicado no jornal A Tarde em 23/05/2026, analisa a posição de Salvador no Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado em 20 de maio pelos institutos Imazon, Fundación Avina e Centro de Empreendedorismo da Amazônia. No texto, Bacelar afirma que a capital baiana aparece como a quarta pior capital brasileira em qualidade de vida, à frente apenas de Porto Velho, Macapá e Maceió, e associa o desempenho da cidade a problemas de gestão urbana liderada por ACM Neto (2013 a 2020) e Bruno Reis (2021 aos dias atuais) nos setores de limpeza pública, mobilidade, saúde, segurança, transparência e meio ambiente que repercutem na qualidade de vida dos soteropolitanos.

No artigo, Deyvid Bacelar, identificado como sindicalista licenciado e pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), utiliza o resultado do IPS 2026 como ponto de partida para uma crítica ampla à administração urbana de Salvador. A tese central é que a cidade teria perdido parte da qualidade de vida que historicamente compôs sua imagem cultural, turística e simbólica.

O autor contrapõe a Salvador atual à memória da cidade que, segundo ele, atraiu artistas, intelectuais e turistas nas décadas de 1960 e 1970. Bacelar cita nomes como Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Tom Jobim para sustentar a ideia de que Salvador já ocupou posição de destaque no imaginário cultural brasileiro.

A referência ao título original — “Do paraíso de Vinicius à quarta pior capital do Brasil” — estrutura a comparação entre a cidade associada à música, ao mar, à história e à cultura popular e a capital hoje avaliada por indicadores sociais, ambientais e urbanos. A expressão “o número dói porque contrasta com a memória”, usada pelo autor, sintetiza esse contraste entre passado simbólico e presente institucional.

IPS avalia necessidades básicas, bem-estar e oportunidades

O texto destaca que o Índice de Progresso Social não mede diretamente o desempenho econômico por meio do Produto Interno Bruto (PIB), mas observa resultados concretos na vida da população. Segundo o artigo, o IPS considera três dimensões principais: Necessidades Humanas Básicas, Bem-estar e Oportunidades.

A partir desses eixos, Bacelar sustenta que Salvador apresenta fragilidades em áreas essenciais para a vida urbana. Entre os pontos mencionados estão saúde pública, segurança pessoal, qualidade ambiental, gestão de resíduos sólidos, mobilidade urbana, transparência administrativa e eficiência do gasto público.

A leitura apresentada pelo autor é que o índice funcionaria como uma “bússola” para orientar investimentos e aperfeiçoar políticas públicas. Nessa perspectiva, o mau desempenho de Salvador não seria apenas um dado estatístico, mas um alerta sobre a capacidade da cidade de oferecer condições adequadas de moradia, circulação, segurança e acesso a serviços.

Limpeza urbana e coleta seletiva são citadas como símbolos de falha estrutural

Um dos principais eixos da crítica de Bacelar é a gestão dos resíduos sólidos. O autor afirma que Salvador não possui coleta seletiva estruturada e sustenta que, na prática, materiais recicláveis, orgânicos e rejeitos acabam recebendo o mesmo destino.

Segundo o artigo, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos existiria formalmente, mas não teria produzido uma rotina eficaz de separação, reciclagem e destinação adequada do lixo urbano. Bacelar afirma que, nesse contexto, o catador acabaria realizando uma função que deveria ser organizada pelo poder público.

O texto também chama atenção para a situação dos garis que trabalham na coleta urbana. O autor critica a permanência de trabalhadores na traseira de caminhões compactadores em vias de grande circulação, como as avenidas Paralela e ACM, e associa a prática a riscos de segurança e precarização das condições de trabalho.

BRT Lapa-Iguatemi é tratado como exemplo de escolha urbana contestada

Outro ponto de destaque é a crítica ao BRT Lapa-Iguatemi, apresentado no artigo como um símbolo de planejamento urbano questionável. Bacelar afirma que a obra custou R$ 578 milhões, segundo a prefeitura, e argumenta que o trajeto ligaria pontos já atendidos pelo metrô.

O autor também critica a derrubada de árvores nas avenidas Juracy Magalhães e ACM para implantação do sistema. Na avaliação apresentada no artigo, a remoção da vegetação teria agravado problemas ambientais, reduzido áreas de sombra, aumentado ilhas de calor e piorado a experiência do pedestre.

A crítica combina duas dimensões: a eficiência do investimento público e o impacto ambiental da intervenção urbana. Para Bacelar, a mobilidade não teria melhorado na proporção do custo e das mudanças realizadas, especialmente diante da persistência de congestionamentos em horários de pico.

Saúde e segurança aparecem como áreas sensíveis no diagnóstico

Na dimensão das Necessidades Humanas Básicas, o artigo aponta problemas relacionados à saúde pública municipal. Bacelar afirma que unidades de saúde fecham aos fins de semana, menciona superlotação em UPAs e cita falta de médicos, medicamentos e filas como elementos de pressão sobre o atendimento.

A reportagem derivada do artigo deve registrar que essas afirmações aparecem como avaliação do autor, sem que o texto fornecido apresente contrapontos da prefeitura, dados administrativos detalhados ou resposta oficial sobre estrutura, investimentos e indicadores da rede municipal de saúde.

Na área de segurança, Bacelar afirma que a Guarda Civil Municipal de Salvador deveria contar com 2.500 agentes, mas operaria com menos de 1.200. O autor também menciona que o último concurso teria ocorrido em 2014, o que, segundo sua avaliação, teria limitado a capacidade de patrulhamento comunitário e ampliado a sensação de insegurança nos bairros.

Transparência, contratos públicos e gestão são alvos de crítica política

O artigo também aborda o eixo de Oportunidades e Direitos Individuais, relacionando-o a temas como transparência, eficiência do gasto público e qualidade da gestão. Bacelar critica a recorrência de contratos em áreas como limpeza urbana, comunicação institucional, requalificação de praças e recapeamento.

No trecho mais duro do texto, o autor afirma que contratos públicos “rodam entre as mesmas empreiteiras de sempre” e associa empresas a grupos políticos ligados a ACM Neto e Bruno Reis. Por se tratar de uma acusação política, a formulação jornalística exige atribuição clara ao autor e ressalva de que o material fornecido não inclui manifestação dos citados.

A crítica central é que Salvador, segundo Bacelar, teria substituído planejamento de longo prazo por soluções emergenciais, servidores concursados por terceirizados e políticas estruturantes por obras de visibilidade imediata. Essa interpretação busca explicar, politicamente, o desempenho negativo da capital baiana no IPS 2026.

Fonte: Jornal Grande Bahia

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