Por: Prof Waldeck Alves
Vamos deixar de demagogia. Todo político, de esquerda ou de direita, tenta transformar ações de governo em dividendos eleitorais. Desde a instituição da reeleição, no governo FHC, quem está no poder disputa a eleição com as vantagens da própria máquina.
Mas, convenhamos: por que tanto alarde com o aumento do Bolsa Família? Bolsonaro aumentou em ano eleitoral. Lula também. Qual é a diferença?
Bolsonaro elevou o benefício de R$ 400 para R$ 600. Um salto de 50%. Foi um acréscimo extraordinário e temporário, válido de agosto a dezembro de 2022. A proposta de Orçamento para 2023 previa benefício médio de apenas R$ 405; a manutenção dos R$ 600 exigiu novo espaço fiscal, aberto posteriormente pela PEC da Transição.
Agora, Lula reajustou o Bolsa Família em 15,04%, de R$ 600 para R$ 691. É a recomposição pelo INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026, prevista na legislação do próprio programa.
Faltou timing? Pode-se discutir. Pode ser caracterizado como abuso eleitoral? Isso depende de elementos jurídicos e de prova; a proximidade da eleição, isoladamente, não resolve a questão. É estratégia para recuperar uma pauta positiva? Para obter dividendos eleitorais? Para colocar adversários diante do desgaste de se posicionarem contra um reajuste que alcança 20 milhões de famílias? Aí é outra discussão.
Sobre o aumento, porém, a diferença objetiva permanece: o de Bolsonaro foi extraordinário, com prazo para acabar. Uma bomba orçamentária em ano eleitoral .O de Lula é uma recomposição ordinária do próprio programa.