As 55 federações da Uefa vão boicotar todas as competições da Fifa. O comunicado foi feito pela entidade europeia nesta quinta-feira (30) em resposta a proposta que cria uma empresa para administrar os torneios e vende ações a investidores privados. A decisão pode afetar a Copa do Mundo feminina no Brasil, em 2027.
A ausência das equipes vai coorrer enquanto a proposta da Fifa estiver de pé. O documento divulgado pela Uefa traz o seguinte trecho:
“Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes”, afirma trecho.
A Copa do Mundo feminina será realizada nos meses de junho e julho de 2027. Caso o boicote se mantenha, o evento seria prejudicado.
OBJETIVO DA FIFA
O objetivo da Fifa, que anunciou a proposta na última terça-feira, é criar uma empresa privada. A Fifa Forward Enterprise (FFE) seria uma nova subsidiária que teria o controle majoritário da entidade. Esta seria responsável por comercializar e organizar todas as competições da entidade.
A entidade comandada por Infantino acredita que a FFE valeria R$ 102,3 bilhões. A venda de ações seria correspondente a 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em ações. O valor significa que os investidores privados não seriam maioria na empresa.
A Fifa afirma que vai aumentar o vaor repassado para as federações de cada país, que sairia de R$ 41 milhões para a chance de chegar ao valor a R$ 102 milhões até a Copa de 2030.
A Uefa foi a primeira entidade a se manifestar contrária. Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e Caribe) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC) apoiaram a decisão.
Veja a nota completa da Uefa:
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo”
Via Diário do Nordeste / Foto: Foto por KENT NISHIMURA / AFP